‘Nada’

‘Fui me confessar ao mar. O que ele disse? Nada.’ (Lygia Fagundes Telles).

A lembrança deste microconto de Lygia Fagundes Telles (São Paulo/SP; 19 de abril de 1923 – 3 de abril de 2022) assinala que esta edição da coluna Empresa-Cidadã, na impossibilidade de uma forma mais retumbante de homenagem, é dedicada a ela que, aos 15 anos, publicou seu primeiro livro de contos (Porão e Sobrado). Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP) e em Educação Física (USP). As seguintes publicações estão entre suas obras principais: Praia Viva (1944); Ciranda de Pedra (1954), pilar mais sólido da sua extensa obra; História do Desencontro (1958), que recebeu o Prêmio Artur Azevedo do Instituto Nacional do Livro (INL); em 1963, recebeu também o Prêmio Jabuti, com o romance Verão no Aquário.

Em 1967, recebeu o Prêmio Candango de Melhor Roteiro adaptado para o cinema, baseado na obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, para o filme Capitu, produzido por Paulo Cesar Saraceni. Foi contemplada também com o Prêmio Internacional de Escritoras (França) pelo livro de contos Antes do Baile Verde, em 1970.

Novamente, recebeu o Prêmio Jabuti, em 1974, desta vez pela publicação do romance As Meninas (1973), obra que afirma a intelectual orgânica e engajada, como signatária do manifesto contra a censura, durante o período da ditadura militar (1977), e como presidente da Cinemateca de São Paulo. A obra As Meninas foi adaptada para o cinema, em 1975, em uma produção de Emiliano Ribeiro.

Novamente, recebeu o Prêmio Jabuti, em 1980, pelo livro A Disciplina do Amor, nesta oportunidade, junto com o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Antes, em 1977, pelo livro Seminário dos Ratos, recebeu o Prêmio PEN Clube do Brasil.

Em 1982, Lygia Fagundes Telles foi eleita para a Academia Paulista de Letras. Em 1985, tornou-se a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira nº 16, no dia 12 de maio de 1987. Foi eleita para a Academia das Ciências de Lisboa (em 2001), quando ela foi reverenciada com o Prêmio Camões, entregue em 2005, durante a VIII Cúpula Luso-brasileira.

Em 2016, tornou-se a primeira brasileira a ser indicada para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura.

 

O Relatório do IPCC

A sigla IPCC já é notória quando surgem denúncias de injúrias graves contra a mobilização planetária para conter o aquecimento global e consequente desastre climático. Significa Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (United Nations Framework Convention on Climate Change), um dos legados da Rio-92, ratificado por 189 países, com o propósito de racionalizar a diversidade de esforços de governos, corporações e cidadãos, ante as mudanças climáticas.

Do VI Relatório de Avaliação do IPCC, elaborado por 278 cientistas de 65 países, conclui-se que os impactos das mudanças climáticas são mais do que proporcionais aos aumentos na temperatura do planeta. As emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE) atingiram a cifra de 59 gigatoneladas, em 2019, que representa um crescimento de 12% superior à cifra observada em 2010 e 54% superior à de 1990, tomando por base o nível de 2019.

Há alternativas que podem contribuir para tanto, como a adaptação das usinas de energia ainda movidas a combustíveis fósseis, com tecnologias de captura e armazenamento de carbono, fazendo a transição para combustíveis de baixo carbono.

O Relatório é preciso ao descrever o efeito nefasto das desigualdades econômicas e sociais e da concentração da renda e da riqueza no impacto sobre a tragédia climática em curso, ao registrar que, as famílias com renda mais alta respondem por algo entre 30% a 45% do total de emissões de gases (GEE).

Ao mesmo tempo, as famílias situadas nos 50% mais baixos níveis de renda respondem por apenas 13% a 15% das emissões, descortinando novas e amplas possibilidades para programas verdadeiramente vocacionados para o enfrentamento da questão do aquecimento. As respostas de programas como os de consumo responsável, de mudanças de estilo de vida, ou de política fiscal corretiva foram estimadas em 40% a 70% de prováveis reduções das emissões de GEE, até 2050, com todas as potenciais consequências daí advindas.

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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