Não diminui a tensão no Mar Egeu

Por Edoardo Pacelli.

Opinião / 15:51 - 11 de set de 2020

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A disputa no Mediterrâneo oriental está sendo travada com avisos e alarmes emitidos, anunciando exercícios navais e manobras militares. Provocações, desentendimentos e acusações mútuas que, por um lado, colocam a Grécia e Chipre em estado de alerta e, por outro, uma Turquia cada vez mais audaciosa exibindo os seus músculos. E, assim, o Mar Egeu parece destinado, dia após dia, a tornar-se um mar cada vez mais quente.

Chegaram as últimas notícias nesse sentido, relatadas pela Agência Nova, de Nicósia, a capital da ilha de Chipre, cujo governo emitiu, recentemente, um alerta internacional Navtex, que invalida o precedente, lançado há poucos dias pela Turquia.

As autoridades de Ancara, em particular, emitiram o anúncio Navtex visando informar as embarcações, em trânsito no Egeu, sobre os exercícios de artilharia ao largo da costa noroeste de Chipre, até 11 de setembro. Mas, de acordo com o governo cipriota, esse anúncio e esses exercícios são ilegais: “O aviso emitido por Ancara” – lê-se uma nota das autoridades de Nicósia – “é ilegal e constitui uma violação do território da República de Chipre, do direito internacional e dos procedimentos de segurança marítima”.

O aviso Navtex, emitido por Nicósia, tem o efeito de invalidar o anúncio dos exercícios militares emitido pelo governo turco. Conforme relatado pela TV turca Trt Haber, os exercícios proclamados por Ancara serão relativos a vários meios navais, que estarão envolvidos em atividades de treinamento de tiro.

O aviso do Navtex turco, cancelado pelo governo cipriota, veio, por sua vez, em resposta aos exercícios, ditos Eunomia, ocorridos, nos últimos dias, ao largo da costa de Chipre e envolvendo Grécia, Itália, Chipre e França. As manobras militares terminaram na sexta-feira, 28 de agosto: este exercício ocorreu após o que foi conduzido pela Grécia e pela França, em 13 de agosto, e o que ocorreu entre as marinhas grega e norte-americana, em 27 de julho.

Por enquanto, a situação está incandescente do ponto de vista puramente político. Mas as tensões, como mostram os alarmes do Navtex e as acusações mútuas, entre a Grécia e a Turquia, podem aumentar facilmente. O pivô da questão são os campos de gás ao redor de Chipre: Atenas e Nicósia reivindicam a competência exclusiva do governo de língua grega, de Chipre, na exploração de recursos; Ancara, ao contrário, apoia as razões do governo do Norte de Chipre, pró-turco e reconhecido, apenas, pela Turquia e não pelo resto da comunidade internacional.

A tensão tem aumentado continuamente desde 2018, quando a marinha turca começou a impedir as empresas de perfurar áreas contratadas pelo governo cipriota. Entre outros, o navio Saipem 1200, da italiana Eni, pagou o preço dessa provocação turca.

Nos últimos dias, a União Europeia ameaçou recorrer a sanções contra a Turquia, devido às últimas provocações de Ancara, no mar Egeu. Esta última circunstância levou o governo turco a ameaçar, com mais retaliações, apontando o dedo para Atenas e Bruxelas: “Nenhum deles” – lê-se numa nota de Ancara – “tem jurisdição nas áreas da plataforma turca”.

Edoardo Pacelli

Jornalista, ex-diretor de pesquisa do CNR (Itália), é editor da revista Italiamiga.

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