Não é acidente, é projeto

São poucas as vezes em que a concretização do “Estado mínimo” se dá de forma tão eloquente.

Dois assuntos que estiveram na linha de frente da mídia nos últimos dias, um nacional, outro local (Rio de Janeiro), guardam uma ligação não tão óbvia a primeira vista. As filas no INSS e a (falta de) qualidade da água distribuída pela Cedae são a concretização do desmonte do Estado em nome da “eficiência” e da “austeridade”.

O INSS conta com um pedido de concurso aguardando ser aprovado pelo governo para preenchimento de 7.888 vagas, informa Gabriel Henrique Pinto, professor e diretor da Central de Concursos. Sem contratar, em nome de uma economia burra, o Estado eleva os gastos ao ser obrigado a corrigir as aposentadorias atrasadas. Mais grave, deixa 1,3 milhão de pessoas, usualmente carentes, sem receber o que lhes é devido por seis meses, ou mais.

Não seria absurdo imaginar que algum dos Chicago Oldies da equipe econômica tenha até comemorado o represamento dos pagamentos em nome da redução do déficit fiscal. Se imaginarmos que 1 milhão tenham direito à aposentadoria (a média do INSS é de cerca de R$ 1,4 mil), são R$ 1,2 bilhão por mês (aposentado também sofre desconto da Previdência), o que dá R$ 15 bilhões por ano. De fazer brilhar os olhos dos doutores que confundem economia com caderninho de despesas de padaria.

Na Cedae, as demissões em massa – com objetivo declarado da eficiência, e não revelado da privatização – mostram a distância entre o discurso empoado dos executivos de mercado e a realidade operacional. (O caro leitor contrataria para comandar uma empresa de saneamento um conselheiro da Samarco à época de Mariana?). A qualidade foi para escanteio, e somente o fato de ser uma companhia monopolista permite Helio Cabral, o executivo em questão, dizer que o ressarcimento dos consumidores “não está no planejamento da empresa”.

São poucas as vezes em que a concretização do “Estado mínimo” se dá de forma tão eloquente.

 

Batalhão

A principal medida anunciada pelo governo para atacar a fila no INSS é a seleção de 7 mil militares da reserva. Como não se acredita que a intenção é uma solução à moda Witzel, de “neutralizar” os candidatos a aposentadoria, nem se tem conhecimento que treinamento em previdência faz parte da carreira militar, ficam duas hipóteses, não excludentes: é apenas jogo de cena ou se pretende dar um agrado à base eleitoral de Bolsonaro.

Os convocados receberão um adicional de 30% sobre o soldo, um dinheiro bem-vindo para um exército de cabos eleitorais em ano de eleição, e com o presidente em busca de assinaturas para viabilizar seu partido.

Não seria a primeira vez. A reforma da Previdência militar acabou em aumento de vencimentos para os oficiais, e as escolas “cívico-militares” gastarão entre 80% e 90% da verba que será enviada pelo governo no pagamento de adicional para os integrantes das Forças Armadas que lá trabalharão.

 

Ilusão de riqueza

O Governo Bolsonaro, leia-se Paulo Guedes, alega que a entrada do Brasil na OCDE traria mais investimentos. Se isso fosse verdade, a China e a Índia não seriam dois dos países que mais recebem investimento no mundo. Nenhum desses dois faz parte da OCDE”, ataca a página Progressista, que difunde ideias nacionalistas e apoia Ciro Gomes.

Se fosse verdade”, continua a mensagem no Facebook, “o México já seria praticamente um país desenvolvido, porque faz parte da OCDE desde 1994! Portanto, é uma grande mentira do Governo Bolsonaro e é apenas um jeito de tentar fazer marketing, dizendo que o Brasil entrou no clube dos ricos. Nada mais.”

Nem um dos piores entreguistas do Brasil chamado José Serra apoiou esse acordo do Brasil com os EUA”, afirma a postagem do Progressista.

 

Corte

Ruim é ficar seis meses na fila de espera do INSS. Pior vai ser descobrir que, com a reforma, não terá direito à sonhada aposentadoria.

 

Rápidas

O BNP Paribas anuncia Ricardo Guimarães como presidente do banco no Brasil, a partir de 1º de março *** O Shopping Jardim Guadalupe promove o evento Super Férias, com oficinas de slime e areia mágica no dia 26, das 15h às 19h. Nos sábados de 18 de janeiro e 1º de fevereiro, haverá shows com o Mágico Fini, às 18h *** As Férias Animadas no Caxias Shopping, em parceria com Firjan, Sesi e Sesc, prosseguem neste sábado e no domingo, das 14h às 18h, com oficinas de pintura, mosaico e xilogravura *** A YES! Idiomas é uma das patrocinadoras do Campeonato Carioca, que começa neste sábado.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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