Não é só o salário: equidade para as mulheres é ganho certo nas empresas

Lei assegura equidade salarial entre homens e mulheres e prevê sanções. Mas empresas devem ir além. Por Izabela Rücker Curi

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Equidade de genero nas empresas

O espaço ocupado pelas mulheres em posições de liderança nas empresas brasileiras ainda é bem menor que o dos homens, apenas 38%, segundo a consultoria global Grant Thorton. Os homens ficam com 62% das vagas. Pior: quando elas chegam lá, o salário é, na média, 22% menor, diz o IBGE.

Por isso, a relevância da Lei 14.611/23, sancionada em julho, que muda a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para assegurar igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens.

Empresas com mais de 100 funcionários deverão publicar, a cada semestre, um relatório de transparência salarial, funcionárias discriminadas poderão entrar com ação indenizatória por danos morais e o empregador que descumprir a norma estará sujeito a multa de dez vezes o salário equiparado, entre outras novidades.

Com isso, a lei também se transforma em importante ferramenta, com critérios objetivos, para avaliar o desempenho ESG — as boas práticas ambientais, sociais e de governança — das empresas brasileiras.

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Se você pensa que isso é burocracia, atrapalho, um estorvo no dia a dia de sua empresa, pense outra vez. Além de um ambiente de trabalho mais justo e diverso e de uma imagem mais positiva diante dos consumidores, se para você o que interessa é o argumento contábil, são muitos os ganhos também na ponta do lápis.

Dar às mulheres justa remuneração e espaço equitativo em cargos de gestão garante às organizações um desempenho 48% melhor que o da concorrência de predominância masculina, conforme pesquisa da McKinsey Study.

Quer mais? Estudo feito pela mestre em gestão para competitividade Monique Cardoso, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostrou que a maioria das empresas brasileiras com alto desempenho ESG têm mulheres na gestão. Entre essas empresas hipercompetitivas, 72% têm uma ou mais mulheres em seus conselhos administrativos e 52% contam com diretoras femininas.

É isso. Invista no S, a letra da diversidade e da inclusão no ESG, e veja os resultados.

O ganho de espaço feminino, nos cargos de gestão do ambiente corporativo, não tem volta. Um projeto aprovado na Câmara Federal obriga que pelo menos 30% das vagas nos conselhos de administração e fiscal de empresas públicas da União, de Estados e Municípios sejam ocupadas por mulheres.

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Mulheres trazem para as empresas novas ideias, criatividade. Uma política de valorização das mulheres contribui para a retenção de talentos, fortalece a cultura organizacional, melhora a reputação e a imagem da marca.

Quer chegar lá? Promova uma cultura organizacional que valorize a diversidade e a inclusão, crie um ambiente onde todas as vozes são ouvidas e respeitadas, independentemente do gênero.

Garanta que homens e mulheres recebam salários e benefícios iguais para funções similares. Ofereça as mesmas oportunidades de desenvolvimento e promoção. Implemente programas de mentoria que conectem profissionais talentosas a líderes experientes na empresa, que advoguem ativamente pelo progresso das mulheres na carreira.

Ofereça treinamentos e oportunidades de capacitação para ajudar mulheres a desenvolver as habilidades necessárias para cargos de liderança. Defina metas mensuráveis para aumentar a representação feminina na empresa e monitore regularmente o progresso.

A equidade de gênero, junto com outras questões de diversidade, deve ser tratada como uma questão de responsabilidade social e fazer parte do planejamento estratégico da empresa. Você verá que os resultados virão. Na ponta do lápis, inclusive.

Izabela Rücker Curi é advogada, sócia fundadora do Rücker Curi Advocacia e Consultoria Jurídica e da Smart Law.

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