Não Me Perturbe: Sudeste tem 5,379 milhões de telefones cadastrados

São Paulo é o líder do país em bloqueios, tendo quase 31 vezes o número de bloqueios do último colocado da região, o Espírito Santo.

A Região Sudeste tem 5,379 milhões de números de telefones cadastrados na plataforma Não Me Perturbe para não receber chamadas de telemarketing de empresas de telecom e de bancos. Distribuídos por estado, o número de telefones bloqueados é: 4,023 milhões em São Paulo, 725 mil em Minas Gerais, 501 mil no Rio de Janeiro e 130 mil no Espírito Santos. A plataforma está em operação desde julho de 2019 e já tem 8,12 milhões de números de telefone cadastrados em todo o Brasil. A iniciativa, criada pelas operadoras de telecom, faz parte das medidas de autorregulação do setor para melhorar a relação com os consumidores.

O Sudeste ocupa três das quatro primeiras posições no ranking de estados com maior número de telefones bloqueados. Na região, os acessos fixos e celulares totalizam 135,665 milhões. São Paulo é o líder do país em bloqueios, tendo quase 31 vezes o número de bloqueios do último colocado da região, o Espírito Santo.

As pessoas que quiserem bloquear seus números de celular e telefone fixo para não receber ligações de telemarketing de empresas de telecom e serviço consignado de bancos devem fazer o cadastro diretamente no site ou por meio dos Procons em todo o país. O bloqueio ocorre em até 30 dias após o cadastro no site.

“A Não me Perturbe se tornou uma plataforma bastante efetiva para controlar e reduzir o número de ligações indesejáveis. Em 2019, 48% das chamadas de telemarketing eram feitas pelas operadoras. Já em 2020, depois da implantação da plataforma, esse percentual caiu para 6%”, comentou o presidente executivo da Conexis Brasil Digital, Marcos Ferrari, citando dados do aplicativo Truecaller.

A plataforma passará agora por um aprimoramento e um controle maior da atuação dos parceiros das operadoras para reduzir ainda mais as chamadas, com identificação, notificação e penalidades para os chamadores mais reclamados. A sugestão de novas medidas de autorregulação para telemarketing estão sendo apresentadas a autoridades do setor. Desde março de 2020, além do telemarketing, o Sistema de Autorregulação das Telecomunicações (SART) vem atuando em outras frentes de autorregulação, com a implantação dos normativos de Atendimento, Cobrança e Oferta.

Ontem, o conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri, defendeu que mais setores entrem na Não Me Perturbe.

“Eu acho que o setor de telecomunicações agora, com o apoio da Anatel, tem que buscar os outros setores que continuam incomodando. Porque no final tem um custo reputacional para as operadoras e para a própria Anatel”, afirmou durante a live Diálogos Conexis Brasil Digital.

Baigorri lembrou que em 2019, 48% das chamadas de telemarketing eram feitas pelas operadoras e em 2020, depois da implantação da plataforma, esse percentual caiu para 6%. Segundo ele, o desafio agora é buscar os setores que respondem por esses 94% das ligações.

“Esse é o desafio agora, o desafio não é o setor de telecom parar de incomodar, é o cidadão parar de ser incomodado por quem quer que seja. A parte do setor de telecomunicações está bem resolvida, bem endereçada. Agora vamos buscar os outros que não são telecom, mas continuam incomodando o consumidor”, disse.

O diretor de Regulação e Autorregulação da Conexis, José Bicalho, afirmou que o setor tem conversado para conseguir mais adesões à plataforma.

“O setor bancário já aderiu, mas a gente ainda tem diversos setores como varejo e plano de saúde que ainda poderiam participar e estamos buscando para ver se eles têm condições de entrar para a Não Me Perturbe”, afirmou.

O consultor da Câmara dos Deputados e ex-secretário do Ministério da Economia, César Mattos, que também participou da Diálogos Conexis, destacou que a plataforma é um exemplo sobre coordenação entre empresas e autorregulação. Segundo ele, os agentes não fariam esse tipo de ação de forma individual, mas conjuntamente, com o espaço da autorregulação, é possível fazer ações como esta em benefício do consumidor.

“A Não Me Perturbe é muito importante. Cada operadora tem que ter a consciência de tornar a publicidade informativa e aumentar o conhecimento do consumidor sem incomoda-lo. Isso exige coordenação e pode ser feito de forma muito mais precisa pela autorregulação”, disse.

Suzana de Toledo Barros, conselheira independente do SART afirmou, no encontro online, que a plataforma é positiva ao dar ao consumidor o poder de escolha.

“O consumidor gosta de ter opções, mas as empresas precisam explorar melhor a comunicação para serem informativas. Uma boa medida é convida-los a conhecerem melhor as plataformas das operadoras para customizar seus planos de acordo com as suas preferências”.

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