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sábado, janeiro 16, 2021

Não ‘tá’ fácil ‘pra’ ninguém

Nem para o vice-presidente Michel Temer. Ansioso para ocupar o lugar de Dilma Rousseff, Temer já está tendo experiência da dificuldade que seria uma presidência com escassez de votos e excesso de controle da mídia. O nome ventilado para o Ministério da Justiça foi sumariamente descartado pelos grupos de comunicação, mostrando que o acordão para salvar Eduardo Cunha e limitar ao Partido dos Trabalhadores as punições da Operação Lava Jato encontrará resistência, pelo menos para dar satisfação a leitores bombardeados há dois anos com a tese de que Moro é a salvação do país.

Temer sofre com o “fogo amigo”, e não somente do deputado ruralista que tenta incendiar o campo chamando o Exército para combater o MST. Esta semana o vice ouviu, em reunião com dirigentes sindicais, à frente um aliado de primeiro hora, Paulinho da Força, as demandas dos trabalhadores, opostas às dos industriais representados pela Fiesp. Mas foi dos industriais que veio a proposta mais espinhosa para Temer, com a CNI pedindo uma “previsibilidade cambial”, uma “política cambial estável”.

A demanda bate de frente com um dos pilares da política econômica implementada pelo tucanato e mantida, com leves mudanças, pelo PT. A livre flutuação cambial é um dos fatores que tem mantido o Brasil na armadilha de voos de galinha, crescendo abaixo de seu potencial e muito menos que outros emergentes. A política cambial é cláusula pétrea para o mercado financeiro, que deve emplacar Henrique Meirelles à frente da economia. Como ficarão a CNI, Paulo Skaf e a Fiesp? Da mesma forma, a volta da CPMF é líquida e certa caso o impeachment avance. O setor produtivo resiste ao aumento de impostos. Trabalhadores e empresários criticam os juros altos. A Força Sindical criticou a manutenção da taxa Selic na reunião desta quarta-feira do Copom. Quem acha que será fácil está se enganando.

Polo de atração

O turismo de saúde chega a movimentar US$ 60 bilhões por ano no mundo, com uma média de crescimento anual de 35%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), comenta Paulo Senise, presidente da TurisRio. Nas décadas de 80 e 90, o Rio de Janeiro viu São Paulo e Minas Gerais se consolidarem como os principais polos de turismo médico no país. Entretanto, ressalta Senise, nos últimos 20 anos o Rio vem mudando esse cenário. Cita o exemplo do Americas Medical City, complexo médico-hospitalar fluminense, resultado de um investimento de R$ 650 milhões. A expectativa é que, até o final de 2016, o complexo alcance a marca de 494 leitos e totalize mais de 2 mil postos de trabalho.

Até dezembro, será inaugurado no empreendimento um Centro de Treinamento, o que arranca elogios do presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ), Paulo Sardinha, que avalia ser importante novos investimentos como esse no Rio, ainda mais no momento atual, em que o desemprego não para de crescer.

Açodada

A Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj) divulgou nota em que pede por respeito e justiça aos profissionais da Prefeitura que atuaram na fase de projeto básico e fiscalização da ciclovia de São Conrado, palco do triste acidente no feriado passado.

Sem a análise de todo o processo que originou os estudos para o projeto, assim como sem uma vistoria técnica no local verificando todos os elementos da estrutura e exame de possíveis falhas de execução, não há como emitir um parecer sobre o que realmente ocorreu. Quem o fizer de forma açodada, no calor das emoções, certamente cometerá injustiças em julgamentos precipitados”, salienta Nilo Ovídio Lima Passos, presidente da entidade.

Engenheiro de obras prontas

Mais uma vez o Conselho Regional de Engenharia (Crea-RJ) faz críticas técnicas a obras que tiveram problemas, como no caso da ciclovia. Não seria o caso de a entidade ser – como é mesmo a palavra da moda? – mais proativa e tentar estabelecer fiscalizações prévias em obras públicas, especialmente as de grande porte?

Rápidas

O programa MasterChef liderou novamente os comentários no Twitter na última semana, de acordo com o Ibope Twitter TV Ratings *** Entre 1º e 5 de maio, o Lord Mayor Jeffrey Mountevans, o chefe da City of London Corporation (que gerencia/controla o distrito financeiro de Londres), estará no Brasil liderando uma delegação de empresas britânicas para “reforçar a cooperação bilateral entre o Reino Unido e o Brasil.” Ele visita São Paulo, Rio e Belo Horizonte *** Os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, e de Relações Exteriores, Mauro Vieira, estarão nesta sexta-feira em Lima para missão oficial. Os dois têm reunião com a ministra do Comércio Exterior do Peru, Magali Silva, seguida de assinatura de acordos para a expansão do comércio bilateral *** O Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo (Sincor-SP) está modernizando seus escritórios e fez a entrega, nesta quarta-feira, da nova Regional Sorocaba.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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