Nas nuvens

Com o engessamento do câmbio produzindo um dos mais altos custos de vida do mundo, os setores ligados ao turismo na Argentina estão oferecendo descontos de 20% em hotéis, restaurantes, bares, cafés, casas de tango e espetáculos e museus. A campanha é dirigida, principalmente, aos países vizinhos, com um foco especial no mercado de São Paulo. Apesar da intensa campanha de propaganda que deve começar no próximos dia 28, a campanha deve esbarrar, em obstáculos intransponíveis. Afinal, refeições e shows com preços variando de US$ 30 a US$ 45 (contra US$ 60 a US$ 70 antes) não é programa para qualquer bolso. O Hard Rock Café, porém, assim como alguns restaurantes de Buenos Aires, criou menus turísticos individuais entre US$ 6 a US$ 11.

Fartura na miséria
Embora boa parte de sua população passe fome, o Brasil é um dos principais mercados mundiais da indústria de produtos alimentares e bebidas. O setor, que cresce cerca de 2% ao ano e emprega 150 mil pessoas no país, faturou ano passado R$ 100,2 bilhões. Deste total, os segmento de alimentos abocanhou R$ 86,4 bilhões e o de bebidas, R$ 13,8 bilhões. Os dados são da Associação Brasileira da Industria Alimentícia (Abia), que participa, de 12 a 15, na Unicamp, do IV Simpósio Latino Americano de Ciência de Alimentos (Slaca). O evento deve reunir cerca de 1.500 participantes, entre professores, pesquisadores, cientistas, alunos de graduação e pós-graduação, técnicos, empresários e autoridades do setor de 21 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, França, Inglaterra, Alemanha e Japão.
Café com leite
A Abia calcula que existam 35 mil empresas do setor instaladas no Brasil. Os laticínios são o carro-chefe do setor no país, faturando R$ 16,4 bilhões, seguido por café e cereais (R$ 13,8 bilhões), derivados de carne (R$ 13,6 bilhões), óleos e gorduras (R$ 10,3 bilhões), derivados de trigo (R$ 9 bilhões), açúcares (R$ 8,3 bilhões), derivados de frutas e vegetais (R$ 7,1 bilhões) e chocolates e balas (R$ 2,4 bilhões). O setor investe em média 2% a 4 % em pesquisa e desenvolvimento e as grandes indústrias lançam de 20 a 50 produtos por ano.
Um dos objetivos do evento é ampliar a interação entre universidade e empresas brasileiras e estrangeiras.

Sujeira
Sempre crítica à poluição causada por outras esferas, a Prefeitura do Rio de Janeiro poderia voltar a atenção para o próprio umbigo. Ontem, o caminhão de lixo da Comlurb placa LCC 1320 circulava, por volta de 19h, próximo ao Sambódromo – a poucos metros da sede da prefeitura – soltando uma escura fumaça pelo escapamento.

Cobertor curto
A festejada apreciação do real, que soma 6,65% na semana, não enseja apenas comemorações. Se, por um lado, ajuda a aliviar a pressão sobre a dívida interna, provocada pela irresponsável indexação de cerca de 30% dos papéis públicos à variação do dólar, por outro, sua continuação ameaça interromper o melhor e mais visível efeito da desvalorização do real: a redução do déficit externo. Assim, pela lógica da camisa de força da dependência externa imposta o país, nos próximos dias o Banco Central deve atuar para deter a valorização do real.

Dissenso
Tendo como principal palavra de ordem “Não à guerra” um expressivo grupo de sindicalistas de Nova York divulgou manifesto criticando os ataques ao Afeganistão, deflagrados pelo Governo Bush. Intitulado “Os sindicalistas de Nova York contra a guerra”, o manifesto prega ainda “Justiça, sim; vingança, não”, defendendo que um Tribunal Internacional Independente investigue, julgue e prenda os responsáveis pelos ataques de 11 de setembro. Segundo os cálculos dos autores do manifesto, cerca de mil sindicalistas morreram nos escombros do World Center e aproximadamente 100 mil novaiorquinos perderam seus empregos.

Sob controle
A pontaria mostrada pelos aviões dos Estados Unidos que bombardeiam o Afeganistão revelaram nova faceta da aliança Casa Brança/Hollywood. Como deixam claro os alvos atingidos pelos norte-americanos, as bombas inteligentes de Bush são planejadas por Mister Magoo.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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