Nasce mais uma vinícola fluminense!

Casa Antunes colhe sua primeira safra e confirma a formação de um polo produtor de vinhos no Rio de Janeiro.

A produção do vinho é cheia de históricos de longos laços geracionais que foram se sucedendo nos negócios do vinho, especialmente em países com tradição vitivinícola. Em países mais emergentes nessa produção, os negócios muitas vezes surgem de empresários bem-sucedidos em outras áreas, que percebem na vitivinicultura uma oportunidade de investir e inovar. Trata-se, no entanto, de um campo de larga complexidade, mas seu espírito dionisíaco e conexão com o espírito, a arte, a alta cultura são elementos fascinantes que justificam os riscos e mobilizam produtores e consumidores. Se alguém duvidava do vinho brasileiro, não tem por que e vai se surpreender com a expansão regional das produções.

Filho caçula de uma empresa familiar de engenheiros mecânicos que trabalham no ramo de caldeiraria, Rafael Antunes foi buscar na formação Wine & Spirits da Cordon Bleu Rio de Janeiro mais conhecimentos sobre o novo empreendimento familiar: uma vinícola em solo fluminense. A Casa Antunes acaba de fazer a primeira colheita da cepa Sauvignon Blanc, plantada em 2020 nas terras fluminenses do distrito de Sebollas (também chamado de Inconfidência), quase divisa entre os municípios de Areal e Paraíba do Sul. Estive nos vinhedos para visitar as instalações e apreciar os frutos da outra cepa que em breve será colhida, a tinta Syrah.

Rafael e Celso Antunes (foto de Míriam Aguiar)
Rafael e Celso Antunes (foto de Míriam Aguiar)

Naturais de Petrópolis (RJ), na década de 1990, o sítio Sossego, onde se encontram os vinhedos, foi adquirido pelo patriarca, Celso Antunes, primeiramente, para ser uma casa de campo. Logo começaram a recuperar o local e a multiplicar atividades: de café a pupunha, passando pelo gado de corte e leiteiro. Em 2019, observando o desenvolvimento da atividade vitivinícola na região, inaugurada por outras vinícolas fluminenses (Inconfidência, Fattoria Vinhas Altas, Terras Frias), e do Sudeste brasileiro, foram em busca dos especialistas que poderiam ajudar a identificar o potencial do local para a produção de uvas viníferas.

A partir da confirmação do perfil com a equipe de agrônomos e enólogos, que já prestam consultoria a vinícolas do Sudeste, o trabalho foi iniciado. Um dos parâmetros favoráveis foi estarem a uma altitude entre 647 e 714 metros e no topo do morro, onde há ventilação constante, com menor risco de acúmulo de umidade e problemas sanitários. As mudas foram adquiridas da Vitacea Brasil, um viveiro nacional, fruto da parceria das vinícolas que consagraram vinhos mineiros (Estrada Real, Maria Maria) e franceses. A primeira vinificação está sendo realizada na sede da Epamig (Caldas, MG), mas já em tanques de fermentação adquiridos pela família, que terá instalações de vinificação próprias. Tudo acompanhado de perto pelo enólogo consultor Frederico Novelli, formado pelo Supagro, Montpellier.

Nada disso seria tão promissor, não fosse o trabalho do agrônomo brasileiro Murillo Regina, mestre em viticultura pela Université de Bordeaux II, que introduziu com muito sucesso a tecnologia da “dupla poda” ou “poda invertida” em regiões antes condenadas a não terem êxito na viticultura vinífera, pelo fato, em particular, da alta pluviometria no verão, que coloca em risco o estado sanitário e a maturação das variedades de uva. Neste caso, aborta-se o desenvolvimento dos frutos no verão, realizando-se uma poda por volta de fevereiro, além da poda usual pós-colheita, para que a videira recomece sua frutificação e realize a maturação no inverno.

Como o nosso inverno é moderado e seco, a estação dá ótimos frutos. Quando pergunto sobre a expectativa da primeira safra, Rafael responde que quer ir com calma – já foi arrebatado pela ideia de fazer um vinho de qualidade, expressão que não combina com quantidade nem pressa. Enquanto as uvas amadurecem, e o vinho se ajeita na taça, a inquietude empreendedora familiar não deixa por menos: lá está o Sr. Celso, absolutamente empolgado com a montagem das novas destilarias de cachaça e de gin.

 

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Míriam Aguiar
Jornalista, educadora e especialista em vinhos

1 COMENTÁRIO

  1. O patriarca da família é, de longe, um grande empreendedor brasileiro. Inteligente e de grande clarividência para inovar, a sua trajetória tem sido de sucesso
    o que, certamente, alcançará esses novos empreendimentos! Parabéns a família!

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