Nasce o Prómandioca

Está nascendo no Brasil o Prómandioca (Programa Nacional de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Mandioca), que deverá funcionar nos moldes do Proálcool – sem os vícios, espera-se. A proposta da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam) parece evitar esse caminho. José Reynaldo Bastos da Silva, presidente da Câmara Setorial da Mandioca no Estado de São Paulo, que assumiu a coordenação do programa, conta que o programa visa o desenvolvimento do setor a partir da organização da iniciativa privada, com apoio institucional do governo: “O objetivo é estabelecer uma garantia de preços mínimos para o setor, buscar condições de competitividade e apoio do Ministério das Relações Exteriores com vistas a assegurar cotas no mercado internacional.”
Balança agradece
José Reynaldo Bastos, coordenador do Prómandioca, defende a adição de amido de mandioca à farinha de trigo. “Se for substituído 10% do trigo importado, o Brasil poderá economizar em torno de US$ 110 milhões/ano. Além disso, se poderá gerar em torno de 50 mil novos empregos com o desenvolvimento da cultura de mandioca”, estima.
Silva cita também a “farinha tropical”, resultante da adição de farinha desengordurada de soja na farinha de mandioca panificável e trigo, que pode ser usada por indústrias de massas, biscoitos e panificação. Segundo ele, as pesquisas nesse sentido estão avançadas e já se programa o lançamento dessa farinha, que tem perspectiva de ser incluída nos programas sociais do governo.

Cresce
A Secretaria estadual de Fazenda fechou ontem a arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e  Serviços (ICMS) do mês de outubro. O resultado – R$ 752,5 milhões – é 6,4% superior (em termos nominais, ou seja, sem descontar a inflação do período) aos R$ 707,2 milhões do mesmo mês do ano passado. O acumulado do ano já chega a R$ 8,6 bilhões, contra os R$ 6,6 bilhões de 2000, representando crescimento nominal de 28,3% no ano.

Momento
Um novo jornal movimenta a cena brasileira e ajuda a quebrar a ditadura do pensamento único: Momento Mundial, lançado ontem. Uma publicação de análise e opinião, tem como editor-chefe J. Carlos de Assis, membro do Conselho Editorial do MONITOR MERCANTIL. No primeiro número, Momento traz profunda e completa análise do atentado de 11 de setembro nos Estados Unidos e as consequências econômicas do ataque. Entre os articulistas, o professor Marcos Coimbra e o sociólogo Lejeune Mato Grosso Xavier de Carvalho.

O Leão & o barbeiro
À falta de argumentos econômicos que convencessem os parlamentares a não porem fim ao congelamento da tabela do Imposto de Renda, que se prolonga por seis anos, o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, apelou, digamos, para a capilaridade. Segundo Maciel, seu barbeiro teria lhe pedido para não corrigir a tabela. Cosmopolitano como todo tucano de boa cepa, Maciel, por certo, cuida de sua melenas em Paris.
Perdas & ganhos
Os números mais alarmistas da Receita apontam para uma perda de cerca de R$ 5 bilhões com a correção da tabela do IR. Emblematicamente, este total é R$ 800 milhões menor que os R$ 5,8 bilhões torrados mês passado pelo governo com pagamento de juros. A diferença, de quase R$ 1 bilhão, não é a única. No primeiro caso, alivia-se, ainda que parcialmente, o massacre da classe média assalariada, no segundo, refestela-se a banca.

Viva Zapata!
Lembrete aos bajuladores do tucanato na imprensa “chapa branca” que insistem em confundir tratamento protocolar com reconhecimento a um suposto estadista FH. O presidente da França, Jacques Chirac, segundo o qual o presidente FH cada vez se firmaria mais como líder mundial, é o mesmo que, em reunião internacional, saudou o tucano como “o meu amigo, presidente do México”. Mais íntimo, impossível.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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