Necessidades

Não satisfeitas com o “Proel” que o BNDES está dando à luz e com o tarifaço que o governo está ultimando, as distribuidoras de energia elétrica resolveram melhorar seu fluxo de caixa em cima dos consumidores. A Cerj, que atende a parte do Estado do Rio de Janeiro, enviou carta a seus clientes na qual ressalta que “vem trabalhando continuamente para oferecer, cada vez mais, serviços de qualidade”. Informa que está implementando novo sistema comercial, “fruto do estudo das necessidades dos clientes e de novas tecnologias que irão agilizar ainda mais o atendimento”.
Ressabiado, o consumidor descobre que as vantagens são “maior controle da leitura de consumos” (pensava-se que isso já era obrigação da empresa) e “diminuição de faturamentos por estimativa” (idem). É informado ainda que terá “mais opções nos vencimentos de contas” (direito do consumidor do estado).
A seguir, descobre sua cota de contribuição para obter tão fantásticas melhorias: pagar duas contas no mesmo mês. Em resumo, a Cerj está antecipando em três dias (média) o prazo para pagamento das faturas. Como, mesmo com a complacente Aneel, não pode fazer isso a seu bel-prazer, pede que quem se sentir incomodado ligue para a Central de Atendimento (0800 240120). Só um total desocupado ou um potencial ganhador da Sena conseguiria realizar tal façanha. Esta coluna experimentou ligar durante a tarde de ontem para a central e só conseguiu obter sinal de ocupado (nem à musiquinha irritante de espera chegou).
Assim, a última vantagem alardeada pela Cerj é “maior agilidade no atendimento nas agências e central telefônica”. Se for verdade, vai ter consumidor pagando para ver – e ser ouvido.
Gênese do apagão
O adiamento do leilão da Copel não resolve questão-chave para o futuro da infra-estrutura do país. Em seus 46 anos de existência, a empresa paranaense investiu cerca de R$ 14 bilhões. A maior parte desses investimentos já foram pagos em sua totalidade. Se prevalecer, no entanto, a obsessão do governo Jaime Lerner em privatizá-la contra a vontade de cerca de 90% da população do Paraná, o país dará mais um passo para aprofundar o modelo que o empurrou para o apagão.

Colarinho
Para quem não tem problemas com a silhueta, tomar um chope gelado no Rio de Janeiro é uma bênção. O difícil é acertar a quantidade de espuma, o famoso colarinho, que divide os apreciadores. Evanildo Ferro, da churrascaria Tourão, acertou e foi o vencedor da quinta edição do concurso “Melhor Tirador de Chope”, promovido pela Associação Brasileira de Sommeliers, durante a feira Equipar 2001. O segundo lugar ficou com Julio Pereira do Vale, do tradicional Garota de Ipanema.

Paradigma
Apesar de um tanto superada, a estratégia de usar no treinamento empresarial a experiência de pessoas “vencedoras” em outros segmentos – o esporte recebe especial atenção – ainda tem seus seguidores. Amyr Klink e Lair Ribeiro estão aí para comprovar. Nesse rumo, a Fundação Getúlio Vargas e a Família Schürmann assinaram contrato para realização de seminários de desenvolvimento empresarial. O objetivo – diz a nota de divulgação da parceria – “é oferecer aos executivos uma oportunidade diferenciada de apoio aos processos de transformação empresarial por meio de metodologias e paradigmas inovadores, aplicáveis aos mais diversos aspectos do desenvolvimento corporativo”. E ainda tem gente que fala em reengenharia e Philip Kotler.
Marketing familiar
A Família Schürmann é um exemplo típico de sonho de sucesso. Como marketing, é a única família brasileira que completou duas voltas ao mundo. De concreto, está concluindo as obras de um centro de treinamentos em Ilhabela, litoral norte de São Paulo, onde irá realizar eventos como o da parceria com a FGV a partir do início do próximo ano.
Depois de aulas teóricas, os executivos participam de atividades práticas em veleiros oceânicos para – palavras da divulgação – “aprimorar as habilidades  pessoais e interpessoais por meio de vivências práticas aplicadas durante a navegação”.

Soy contra
Do deputado Delfim Netto (PPB-SP), explicando por que deseja inscrever na Constituição a garantia de não cobrança da CPMF para aplicações em bolsa: “Não confio no governo nem quando estou no governo, imagina quando estou fora do governo!” Pela longa experiência no ramo, é conselho a ser considerado.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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