Neeleman aceita € 55 mi para sair da TAP. Acordo depende da Azul

Companhia brasileira teria que se comprometer a não converter obrigações em ações da aérea portuguesa.

Acredite se Puder / 17:46 - 1 de jul de 2020

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David Neeleman, empresário norte-americano fundador da Azul, concordou em receber 55 milhões para sair do consórcio Atlantic Gateway, que era controlador da aérea portuguesa com uma posição acionária de 61%, e passou a não ter voz ativa pois concordou que sua participação fosse reduzida para 45% e o Estado português voltasse a ser o majoritário. Porém, a concretização depende da Azul prometer que não converterá as obrigações no valor de 90 milhões, que lhe daria uma parcela de 6% no capital da TAP e mantê-las até o vencimento, ou seja, até 2026, O interessante é que, se as ações forem convertidas, o governo português mais uma vez deixará de ser o majoritário. Nenhuma casa de análise brasileira fez a menor referência sobre essa situação, especialmente, a da Azul, que não é tão confortável.

Os negócios da portuguesa são confusos. Em 23 de novembro de 2015, Antônio Costa foi empossado como primeiro-ministro português e garantiu que o Estado voltaria a ser o maior acionista da companhia, realizando desde então 14 reuniões, todas inconclusivas. Costa afirmou nesta quarta-feira que a prioridade é assegurar a continuidade da TAP, mas que espera fazê-lo por acordo com os privados, evitando a nacionalização. E declarou: “Espero solução negociada, por acordo com os nossos sócios privados, e não por imposição do Estado. Se for necessário cá estaremos para isso, mas espero que não.” Em cima da sua mesa está a possibilidade de o Estado elevar a sua posição a 70%, Humberto Pedrosa ficaria com 25% e os funcionários com 5%.
Enquanto isso, a TAP está sem dinheiro para efetuar o pagamento dos salários no final deste mês. A transportadora aérea gasta mais de 53,5 milhões por mês e não tem essa quantia em caixa.

 

Dona da Pizza Hut pede proteção nos EUA

A situação da NPC International era frágil até março deste ano e piorou com a atual pandemia, que aumentou sua dívida para US$ 903 milhões. Por causa disso, a dona da cadeia de restaurantes Pizza Hut e Wendy’s entrou no tribunal do Texas com o pedido de proteção, evocando o Capítulo 11 da lei de falências dos Estados Unidos. A NPC tenta negociar um acordo e reestruturação da dívida, com o objetivo de a atenuar, caso os credores aceitem trocar por ações e participar na nova injeção de capital. O plano inclui a venda e o consequente encerramento de muitos restaurantes em todo o país. A companhia abriu o seu primeiro restaurante em 1962 e atualmente tem cerca de 1.225 Pizza Hut e 385 Wendy’s espalhadas pelos Estados Unidos. As duas continuarão a operar enquanto buscam um acordo que permita o pagamento das dívidas.

Os problemas norte-americanos não afetam as brasileiras. O Brasil tem apenas 84 unidades da marca e uma receita de US$ 130 milhões em 2013. Atualmente, a Pizza Hut São Paulo responde por mais de 50% das vendas da marca no país e emprega 1,5 mil pessoas, sendo 10% da terceira idade. A franqueada é controlada pela Brazil Fast Food Corporation, que também é dona do Bob’s e tem como sócios Aguirre e a Rosenberg Partners. Os paulistas são tarados por pizzas e, no estado, antes da pandemia, funcionavam 11 mil pizzarias que comercializavam 1 milhão de unidades por dia, consumo maior que o dos italianos.

 

Cade retira medida cautelar contra Cielo

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) retirou a medida cautelar que impedia acordo entre Cielo e WhatsApp para o WhatsApp Pay. A retomada da parceria, no entanto, depende de uma outra medida, dessa vez do Banco Central, que bloqueou o acordo por questões relacionadas às bandeiras Visa e Mastercard. Para os analistas do Bradesco BBI a suspensão foi sem precedentes e uma surpresa e ressaltam que os pagamentos pelo WhatsApp não se destinavam a ser novo canal de pagamento, mas apenas mais um ou local para as transações serem possíveis. O Banco Central precisará chegar à mesma conclusão para que o serviço seja retomado como planejado quando foi lançado em 15 de junho. Acreditam, no entanto, que isso pode levar mais tempo ou ser possível somente após o lançamento da solução de pagamentos instantâneos do regulador, o PIX, em novembro. Antes disso, o regulador pode ficar sobrecarregado com sua própria agenda de desenvolvimento, limitando sua capacidade de avaliar as novas ferramentas do WhatsApp.

 

XP passa a acompanhar a Positivo

A XP Investimentos iniciou à cobertura das ações da Positivo, classificando-as como neutra e com preço-alvo de R$ 6. Além disso, atualizou as estimativas para as ações da Locaweb, com recomendação de compra e elevação do preço-alvo de R$ 26 para R$ 55, com um potencial de valorização de 27,3%. O crescimento do comércio eletrônico e potenciais aquisições justificam o potencial de crescimento da empresa. E ressaltam que a empresa possui um pipeline de potenciais aquisições robustas e ainda carrega os R$ 400 milhões em caixa levantados no IPO exclusivamente para esse fim.

 

Via Varejo alonga a dívida

A Via Varejo conseguiu alongar R$ 4 bilhões de suas dívidas que venceriam nos próximos 60 dias. Com a readequação, o prazo médio subiu para 1,3 ano. Essa renegociação foi dividida em duas partes. Na primeira, a varejista vai utilizar R$ 1,5 bilhão em debêntures com vencimento em junho de 2021 e junho de 2022 para comprar notas promissórias com vencimento em setembro de 2020.

 

Marcopolo vale se vendas aumentarem 50%

O Bradesco BBI rebaixou para venda a recomendação das ações da Marcopolo e reduziu o preço-alvo de R$ 2,50 para R$ 2,40, 18% abaixo da cotação atual. Segundo os analistas, o rebaixamento se justifica porque as vendas de ônibus precisariam subir 50% em 2021.

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