Dados do Sebrae mostram que cerca de 24% dos negócios fecham antes de completar dois anos, evidenciando que o início da jornada empreendedora costuma ser também o mais vulnerável.
Embora fatores externos, como cenário econômico e carga tributária, sejam frequentemente apontados, especialistas destacam que grande parte dos problemas está dentro da própria operação, especialmente na forma como o financeiro é conduzido desde o início. A ausência de planejamento, o desconhecimento dos custos reais, a falta de capital de giro e o descontrole sobre entradas e saídas de dinheiro estão entre os principais entraves para a sustentabilidade dos negócios.
“Muitos empreendedores começam sem uma reserva mínima para sustentar os primeiros meses, que geralmente são os mais instáveis. Sem capital de giro, qualquer oscilação já compromete a operação”, afirma a mentora de finanças Simone Santolin.
Outro ponto crítico é a confusão entre finanças pessoais e empresariais, prática ainda recorrente, principalmente em negócios de pequeno porte. Sem essa separação, o caixa perde previsibilidade e compromete a saúde financeira da empresa. Além disso, a precificação incorreta, seja por desconhecimento ou tentativa de competir apenas por preço, pode gerar uma falsa percepção de lucro e acelerar o endividamento.
“Vejo muitos negócios faturando, mas não lucrando. Isso acontece quando o empreendedor não considera todos os custos envolvidos, como impostos, taxas e despesas operacionais. No papel, parece que está tudo bem, mas, na prática, o negócio já está fragilizado”, explica.
A falta de controle do fluxo de caixa também aparece como um dos principais erros. Sem acompanhar de forma estruturada o que entra e o que sai, o empreendedor perde a capacidade de antecipar problemas, negociar prazos e tomar decisões estratégicas, como reduzir custos ou ajustar preços. Nesse cenário, atrasos de pagamento, acúmulo de dívidas e perda de crédito no mercado se tornam consequências comuns.
Além disso, a ausência de indicadores financeiros, como margem de lucro, tíquete médio e ponto de equilíbrio, dificulta a leitura real do desempenho do negócio. Sem esses dados, o crescimento pode ser ilusório e mascarar prejuízos recorrentes.
“Um erro muito comum é empreender sem entender o básico do financeiro. Muitos empresários não sabem exatamente quanto custa manter o negócio aberto ou qual é o seu ponto de equilíbrio, e isso impede qualquer planejamento de crescimento”, diz Simone.
Para a especialista, o caminho para evitar esse desfecho passa por tratar o financeiro como prioridade desde o primeiro dia, com organização, disciplina e visão estratégica.
“O dinheiro é o que sustenta o negócio. Não adianta ter uma boa ideia ou um produto de qualidade se não há gestão. O empreendedor precisa entender que controle financeiro não é opcional, é o que garante a sobrevivência da empresa”, conclui.
Recuperações judiciais atingiram quase 2,5 mil empresas em 2025, maior nível da série
Estudo da Serasa Experian intitulado Indicador de Falências e Recuperações Judiciais apontou que o ano de 2025 teve 977 processos de recuperação judicial, maior volume desde 2016 (5,5% vs. 2024); e 2.466 empresas (CNPJs) estiveram envolvidas no último ano, alta de 13% e recorde da série.
Na leitura mensal, 2025 permaneceu consistentemente acima da tendência histórica (2012-2023), em torno de 53 processos por mês. Pela ótica de CNPJs, o movimento foi semelhante: o número de empresas envolvidas superou recorrentemente a média de longo prazo, 106 CNPJs por mês, indicando que a ativação do instrumento se manteve elevada ao longo dos últimos dois anos.
Na análise por setor para 2025, o segmento de agropecuária, que contempla exclusivamente pessoas jurídicas e é segmentado pelas classificações de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, representou 30,1% (743) CNPJs que buscaram pela recuperação judicial, seguido pelo setor de “serviços” com 30% (739). Em seguida, vieram comércio (21,7%; 535 CNPJs) e indústria (18,2%; 449 CNPJs).
Em relação a 2024, observa-se ganho de participação da agropecuária (3,8 p.p.) e leve avanço de serviços (0,6 p.p.), com perdas em comércio (-2,4 p.p.) e indústria (-2,0 p.p.). No horizonte mais longo (2012 – 2025), o movimento é ainda mais expressivo: a agropecuária salta de 1,3% para 30,1% – sinal de maior presença do setor em estratégias de reorganização de passivos ao longo do ciclo -, enquanto indústria (de 34,4% para 18,2%) e comércio (de 31,2% para 21,7%) perderam peso relativo e serviços manteve participação próxima, de 33,1% para 30%.
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