Negócios do Brasil

Depois de revogar a ida do navegador Marco Polo à China, o presidente Lula acaba de reescrever outra página da história daquele país. Em pleno século XXI, Lula dirige um país que concentra 83,2% de suas exportações para a China em minérios e commodities agrícolas, enquanto as importações de produtos industrializados chineses somam pelo menos 54%. Não satisfeito, cedeu às exigências da China de condicionar um investimento de US$ 2 bilhões em ferrovias no Brasil para escoar produtos indispensáveis à manutenção do seu crescimento à garantia de reembolso de pelo menos 70% do valor investido. O nome da varinha de condão que transforma o capitalismo num negócio sem riscos atende aqui pelo nome de parceria público-privada (PPP). Com Lula, o antigo ditado “negócios da China” ganha uma ressignificação: agora quem paga o pato na concessão de vantagens indevidas não são mais os chineses. Não apenas o navegador genovês esteve na China, no séculos XIII, mas Hu Jintao veio ao Brasil, cerca de 700 anos depois. E também se deu bem!

Elogio que explica
A visita da comitiva chinesa ao Brasil fornece interessante estudo de caso sobre os resultados obtidos por dois países que, nos últimos dez anos, optaram por caminhos antagônicos. Noves fora o fato de o Produto Interno Bruto (PIB) chinês, que, há cerca de uma década era um terço do brasileiro e hoje é três vezes maior, mesmo no comércio exterior – uma das raras áreas em que o Brasil cresceu – a comparação é altamente favorável à nação oriental. Enquanto o ministro Furlan se alvoroça com a possibilidade de as exportações brasileiras alcançarem ainda em 2005 o patamar de US$ 100 bilhões, a China, apenas em outubro passado, vendeu US$ 52,5 bilhões ao exterior.
A diferença não é apenas quantitativa. Enquanto os governos brasileiros praticamente restringem seus esforços para tentar ampliar espaços no agronegócio, que responde apenas por 9% das transações comerciais mundiais, os dirigentes chineses não abrem mão de, ao lado das vendas de bugigangas, exportar cada vez mais produtos de alto valor agregado.
Resultado: um caminha para se tornar uma potência mundial, o outro para ser fornecedor de matéria-prima e produtos manufaturados que o desinteresse das matrizes multinacionais autoriza aqui serem produzidos. Mas, como diria a equipe econômica, o Brasil é elogiado pelo FMI e a China, não.

Sobrepreço
Está sendo criado um sistema de intermediação obrigatória de brokers (operadores) internacionais de resseguros para os resseguros facultativos de garantia. Isso representa acréscimo de 5% no custo da operação, além do custo de remessa. Segundo fontes do setor, o sistema tem dedo do IRB-Brasil Re.

Genocídio
Acostumada a chamar as coisas pelo seu nome, esta coluna não pode deixar de criticar o silêncio das organizações internacionais sobre a carnificina promovida por tropas norte-americanas em Faluja, no Iraque, apresentadas docemente pela mídia, principalmente a televisiva, como uma aventura em campos inóspitos.

Estado em debate
O II Fórum Brasileiro de Direito Público da Economia, evento oficial do Instituto Brasileiro de Direito Público da Economia (IBDPE), reunirá no Othon Palace Hotel, no Rio, entre os próximos dias 25 e 26, especialistas em regulação e professores de direito administrativo e constitucional, para debaterem sobre os limites e as funções fundamentais da intervenção do Estado no setor econômico e nos serviços públicos, em especial via agências reguladoras. Mais informações no site www.latosensu.com.br/dpe ou pelos telefones 0800-707-5246 08 e (71) 270-5246.

Cultura
O embaixador Sérgio Paulo Rouanet será o expositor do fórum A Cultura na Promoção da Paz, promovido pelo Rotary Botafogo, nesta terça-feira, das 9h às 12h30m, no auditório da Associação Comercial do Rio de Janeiro (Rua da Candelária 9).

Nomes aos bois
Na enviesada cobertura que a grande imprensa internacional faz da morte de Yasser Arafat, fica parecendo que agora aumentaram as chances de acordo entre palestinos e israelenses. Como se Arafat, e não Bush e seus cúmplices em Israel, fosse o verdadeiro obstáculo à paz na região.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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