Nem aí

Os defensores da eficiência privada e do choque de gestão têm um caso exemplar para expor sua tese aos passageiros que, já há dois dias, são submetidos ao padrão Gol de aviação. Além de não prestar serviços pelos quais recebeu e não fornecer qualquer explicação séria aos consumidores, a presidência da empresa sequer apresentou um pedido de desculpas, ainda que à la Michael Schumacher, ao distinto público.

Padrão
O episódio da Gol, recorrente na situação de duopólio em que vive a aviação nacional, não inibe que os tradicionais lobistas repitam seu mantra pela privatização dos aeroportos brasileiros, movimento que tem um olho gordo em particular no Galeão, no Rio, mesmo estado que vive com padrão Metrô Rio, da SuperVia e das empresas de ônibus.

(Não) vou de táxi
Fora do duopólio Gol-TAM, a situação está longe de ser favorável. Na WebJet, por exemplo, funcionários queixam-se que a empresa cortou até o pagamento do táxi para que pilotos, de folga, cobrissem o horário de colegas que não pudessem voar. Em represália, vários pilotos passaram a recusar-se a trabalhar fora do horário regulamentar. Além disso, 40 currículos de pilotos e outros integrantes da tripulação foram despejados no mercado de trabalho, o que levou a WebJet a promover mudanças na administração da empresa.

Tomaram Prozac
Os economistas estão mais confiantes do que nunca, segundo aponta o Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia (ISE), medido pela Fecomercio-SP em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB). Houve alta de 4,4% no índice de julho na comparação com o de junho, indo de 107,1 pontos para 111,8, numa escala que vai a 200 (acima de 100 indica otimismo). Guilherme Dietze, assessor econômico da Fecomercio, explica que o resultado positivo se deve, principalmente, à recuperação da confiança na economia mundial e aos resultados satisfatórios sobre inflação.
Com os últimos resultados da economia mundial e da brasileira, também, esta coluna não se surpreenderá se o ISE cair no mês que vem. O que mostra a pouca utilidade de índices como este para aferir o pensamento de profissionais que deveriam trabalhar no médio e longo prazos.

Não aprenderam
Um dado, porém, mostra que a pesquisa da Fecomercio-SP deve abranger um grande número de economistas do “mercado”, portanto distantes de análises mais aprofundadas da conjuntura: a única questão que incomoda mais os pesquisados do que a taxa de juros brasileira é a forma como o Governo Federal administra seus gastos. A avaliação do item Gastos Públicos caiu para 32 pontos, demonstrando um forte pessimismo. “A pior notícia é que os economistas esperam um aumento dos gastos públicos, tanto para o momento atual, quanto para daqui a 12 meses”, lamenta Dietze. Pior para quem, cara pálida?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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