Nem aí

A recorrência do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB),  no circuito Elizabeth Garden continua a confundir as Organizações Globo. Deve ser por isso que os veículos da emissora omitiram qualquer associação entre a política de segurança de Cabral e o arrastão no Metrô do Rio. Ou é difícil imaginar qual seria a abertura do Jornal Nacional se o episódio ocorresse na gestão de Leonel Brizola , Anthony Garotinho ou outro governador menos amigável à casa?

Sem defensores
Em 2009, quando a crise mundial obrigou o Banco Central a reduzir a taxa básica de juros (Selic) em percentuais que, embora tímidos, geravam ganhos considerados insuficientes pelos aplicadores de fundos de renda fixa e DI, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com forte apoio dos porta-vozes do rentismo, ameaçou taxar os já parcos rendimentos da caderneta de poupança. A alegação era evitar uma “fuga” dos aplicadores dos fundos para a caderneta. O “efeito eleição” levou o então presidente Lula a descartar a proposta. Agora, com a nova escalada da Selic – ainda que em ritmo insuficiente para saciar a gula das rentistas – e com a poupança rendendo apenas 2,23% até abril, contra 3,23% do IPCA no mesmo período, não se ergue uma única voz para defender a caderneta.

Além do preço
Pesquisa da consultoria norte-americana McKinsey com 6 mil consumidores de grandes lojas dos Estados Unidos avaliou os fatores mais importantes na hora de comprar um produto. Além disso, mensura a percepção para o consumidor sobre o que é barato ou caro. Como era de se esperar, preço desponta como o fator mais importante, com 24% das escolhas. Seguem-se experiência (17%), confiança (17%), variedade de preço e qualidade (12%), política de devolução (12%) facilidade de encontrar os produtos desejados (11%), custo de entrega (4%) e programa de fidelidade (3%).

Precipício
Levantamento de J.P. Jiménez para a Cepal, citado pelo ex-prefeito Cesar Maia em seu blog, mostra que o esforço do Brasil para superar a crise mundial em 2008 e 2009 não foi muito diferente do bom aluno conservador Chile. Aqui, a soma de redução de tributos e aumento dos gastos públicos representou 2,6% do PIB. No Chile, o total foi equivalente a 2,4% do PIB. Menor foi o esforço da Argentina – talvez por já estar num ritmo de crescimento mais forte: 1,1% do PIB. No Peru, foi de 1,5% do PIB. O México nada fez em termos de redução de tributos e elevou em somente 0,2% os gastos públicos. Não à toa, o Produto Interno Bruto mexicano caiu 6,5% em 2009. Em 2010, o crescimento ficou em 5,5%, insuficiente para recuperar a queda do ano anterior, e inferior ao incremento do Brasil.

Por quê?
O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, declarou ao MM que “o Brasil vai aproveitar apenas 60% do potencial hidrelétrico”. Seria o caso de perguntar por que, enquanto todo país com potencial importante e tecnologia para aproveitá-lo, explora-o ao máximo. De acordo com o Hydro Power and Dams World Atlas de 2001, as hidrelétricas respondem por 99% do suprimento de eletricidade na Noruega, 60% na Áustria, 55% na Suíça, 50% na Suécia, e 12% na França, país de escassos recursos hidrelétricos.

Não me comprometa
Informam fontes do BNDES que o banco proibiu que estudo sobre a taxa de câmbio real para o Brasil fosse divulgado como texto de discussão (TD) da instituição. Assim, seus autores apresentaram o resultado como trabalho acadêmico. No estudo, eles apontam que a taxa de câmbio considerada “ótima para o desenvolvimento” deveria corresponder a R$ 2,90.

Gangorra
Indagado como está a vida após a Justiça expropriar todos os seus bens, incluindo uma mansão de 4 mil metros quadrados idealizada por Ruy Othake e decorada por 687 obras de  importantes artistas plásticos de várias partes do mundo, o ex-dono do Banco Santos Edemar Cid Ferreira saiu-se com essa: “Foi um Collor que passou na minha vida”, afirmou, em entrevista à edição de maio da revista Alfa, Edemar, que passou a morar a 100 metros da sua antiga residência, na casa de um amigo.
Em tempo, Edemar foi eleitor de Collor, mas, naquela época, os expropriados foram outros brasileiros, os sem-banco.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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