Neodefensores do trabalhador ignoraram crise

Final de 2019, a pandemia mundial ainda não havia sido decretada, e o “novo coronavírus”, que se transformaria em Covid-19, era uma sombra de uma crise distante na China. No Brasil, a economia, que marcou passo durante o primeiro ano do Governo Bolsonaro, começava a dar sinais de retração. A taxa média de desocupação medida pelo IBGE até caiu, de 12,3% em 2018 para 11,9%, mas ainda eram 12,6 milhões de pessoas desocupadas. Comparada ao 2014, ano de menor nível de desemprego, quando atingiu 6,8 milhões, a população sem trabalho quase dobrou em cinco anos.

Apesar disso, os neodefensores dos trabalhadores, que hoje se mostram ativos nas redes e às vezes, apesar da pandemia, até nas ruas, não clamaram por passeatas em protesto contra o desemprego. Defendiam, e continuam defendendo, a política contracionista de Paulo Guedes.

Não têm nem o direito de dizer que se “surpreenderam” com o número de “invisíveis” a quem o auxílio emergencial apenas jogou luz. Em 2019, a informalidade – trabalhadores sem carteira, empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar – atingiu 41,1% da população ocupada, o equivalente a 38,4 milhões de pessoas, o maior contingente desde 2016.

Se querem defender o trabalho e as empresas, sem segurar nas alças dos caixões junto com Bolsonaro, empregariam melhor seus esforços cobrando o retorno imediato do auxílio emergencial de R$ 600, ainda que atendendo a menos pessoas e por menos tempo. Foi isso, junto com outras medidas de preservação de emprego, que impediu uma catástrofe econômica em 2020.

Fora isso, o que resta são desculpas para garantir a ida a shoppings e barzinhos.

 

Sem risco

As concessionárias de rodovias esperam R$ 1,3 bilhão para “reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos” por conta da redução do tráfico com as medidas de combate à pandemia. A célere Advocacia-Geral da União (AGU) aprova a reposição, embora a definição do valor fique a cargo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

As centenas de milhares de empresas igualmente afetadas por “força maior ou caso fortuito” esperam sua vez na fila.

 

Centro

As eleições no Peru e no Equador enterraram o blá-blá-blá de “centro democrático” – ou, numa tradução melhor de FHC, candidato das elites. Nos 2 países, sobressaiu o embate entre 2 visões opostas. Quem apostou no “centro” isentão levou banho nas urnas.

 

Rápidas

A rede de franquias YES! Idiomas mantém o patrocínio do Campeonato Carioca. A marca estará em destaque nos painéis do gramado nas últimas rodadas da Taça Guanabara, além de nas semifinais e na final. “Faço questão de relacionar a educação ao esporte, porque ambos são ferramentas fundamentais na construção de uma sociedade desenvolvida”, afirma Clodoaldo Nascimento, presidente da YES! *** O IAB fará debate sobre tutelas de urgência no Direito Eleitoral, nesta quinta-feira, às 17h, no canal TVIAB, no YouTube.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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