Neopiromaníaco

Foi emblemático as comemorações dos 150 anos, quinta-feira, do evento que deu origem ao Dia Internacional da Mulher coincidir com a visita ao Brasil, como parte de um tour à América Latina, do presidente George Bush, mais à vontade num bunker do que no meio da rua. Naquele 8 de março de 1857, quando operárias de uma fábrica de tecidos de Nova York, fizeram uma grande greve, como parte da campanha pela jornada de trabalho de dez horas – na época trabalhavam até 16 horas por dia – equiparação de salários com os homens (elas ganhavam um terço do salário deles pelo mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho, a resposta dos proprietários foi trancar as portas da fábrica, que foi incendiada, resultando na morte de 129 mulheres.
Nesses dias de inferno no Iraque e no trânsito de São Paulo, poucos personagens sintetizam melhor a aproximação entre a reação do piromaníaco patronato do século XIX da beligerância do império contra os dissidentes do que Bush.

Nem só de flores
Diante da brutalidade do ato, durante uma conferência na Dinamarca, em 1910, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às 130 tecelãs carbonizadas 53 anos antes. Somente em 1975 a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Essa breve incursão pelo passado visa a salientar que, se movimentos cujas origens são marcadas por cicatrizes tão dolorosas podem ser ressignificados, resultando em homenagens mais amenas às mulheres, como flores e bombons, a história não deve ser esquecida, para que se dificulte acontecimentos tão bárbaros.

Instituto da revisão
A julgar pelos antecedentes, a decisão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de rever sua previsão para o crescimento do produto interno bruto (PIB) do Brasil, este ano, de 3,6% para 3,7%, deverá, em breve, ser….revista. A três meses do encerramento de 2006, mesmo após o PIB do país crescer pífio 0,5%, no segundo trimestre, em relação ao primeiro trimestre, o sempre otimista Ipea reduziu sua previsão para o ano, de 3,8% para 3,3%. Quando IBGE divulgou o dado oficial deu 2,9%, um erro de 12,1% em relação à previsão feita, em setembro de 2006, e de 23,6%, se comparado à projeção mais rósea.

Instituto do erro
Também, em 2005, no mesmo período da otimista revisão para 2006, o Ipea achou por bem rever suas projeções para o PIB daquele ano: de 2,8% para 3,5%. Mais uma vez, houve descolamento entre a previsão do Ipea e a realidade: 2005 fechou com crescimento de meros 2,3%, 1,3 ponto abaixo do previsto pelos otimistas economistas do instituto, ou um erro de 37,14% cometido a três meses do fim do ano.

Instituto de ideologia
A defasagem dos números não se explica pela tautológica afirmação de que institutos de pesquisa estão sujeitos à recorrência na revisão de suas previsões. No caso do Ipea, no entanto, o problema se localiza na confusão de diagnóstico, por confundir questões ideológicas com a realidade. A pista para essa constatação se encontra no fato de que, apesar dos contínuos erros de suas previsões, o instituto insiste em receitar as mesmas políticas que respondem pela anemia endêmica da economia que já se estende por uma década e meia: corte de gastos públicos, desmonte do Estado, juros alto etc. Ou seja, tudo aquilo que Collor, FH e Lula, ao fazerem, mantiveram o país preso ao atraso e defasado de  um dos momentos mais favoráveis da economia internacional no pós II Guerra Mundial, como mostram nossos vizinhos que romperam com os dogmas econômicos ainda abraçados pelo Ipea.

Missão Europa
Um grupo de prefeitos e empresários fluminenses, acompanhados pelo  vice-governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão, visita Madri e Lisboa, a partir do dia 17. A missão à Europa, coordenada pela Agência Rio, visa a buscar investimentos estrangeiros para projetos locais. Entre os prefeitos que já confirmaram presença, estão Riverton Mussi (Macaé), e Gotardo Lopes Netto (Volta Redonda). Os prefeitos de Niterói, Godofredo Pinto, e de São Gonçalo, Aparecida Panisset, confirmam no início da semana se integrarão a comitiva.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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