Neotroiano

O novo ataque de Domingo Cavallo ao Mercosul não pode ser reduzido a uma tentativa de se cacifar para obter novas concessões do Brasil dentro do bloco. Oriundo de um governo que se regozijava de manter relações carnais com os Estados Unidos, Cavallo está para o Mercosul como seu equivalente equino esteve para Tróia. Seu objetivo é implodir o bloco sul-americano. Aliás, esse é o primeiro pagamento ao apoio dos EUA à troca (swap) de títulos da dívida argentina no mercado norte-americano.
Anote-se que, carente de votos – apenas 10% nas eleições presidenciais de 2000 – Cavallo está prenhe da Alca, acalentado o sonho, rejeitado pela própria matriz, de ver a economia argentina ser formalmente anexada à dos EUA. Nessas condições, o melhor caminho para o Brasil é estender os laços com os representantes da economia real do vizinho, que têm aqui o único mercado onde ainda mantêm superávit comercial.

Mortos-vivos
Os boatos sobre a demissão de Armínio Fraga, com origem dentro da própria estrutura de poder, revelam que a briga interna deflagrada pela falência do modelo atual pôs em xeque a política cambial. Espera-se apenas que o reconhecimento das limitações do câmbio flutuante não empurre o país de volta às trevas do câmbio fixo. Seria como quebrar as pernas do afogado que não consegue se aproximar da praia.

Zoofilia
Depois que Cavallo voltou a chamar o Brasil de elefante, o Itamaraty deveria aprender que este Cavallo só gosta de águia.

Movimento
O Festival de Cinema de Gramado movimentou cerca de R$ 8,9 milhões na economia da cidade gaúcha e municípios vizinhos ano passado, segundo estimativa dos organizadores. Gramado foi visitada por 110 mil pessoas, sendo que cada uma gastou em média, por dia, R$ 150 – com hospedagem – ou R$ 40 – sem hospedagem. A indústria hoteleira da cidade tem estrutura para receber 5.900 hóspedes. Muitos dos visitantes hospedaram-se em cidades vizinhas ou alugaram residências. A expectativa para o festival deste ano, que ocorrerá de 6 a 11 de agosto, é superar o movimento de 2000. Só de jornalistas são esperados 350.

Palavra
“A termeletricidade pode ancorar, pode apoiar, mas não substitui a hidreletricidade. Não só porque seria quase impensável. Não há gás para tanto. E seria mais caro. A vantagem dessas usinas termelétricas é que o custo é barato e a vantagem ambiental, pois é uma energia limpa.” A afirmação, acredite quem quiser, foi feita ontem pelo presidente FH durante visita às obras da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, em Lajeado, Tocantins. Para quem acompanha a política energética do governo federal, discurso assim parece algo meio esquizofrênico.

Precipitação
Pelas preocupações dos monarcas atuais com o próprio futuro, o fim da prisão especial não veio em boa hora.

Para o PT ver
A precoce falência do governo De la Rúa na Argentina deveria ser examinada com lupa especial pelos setores da oposição brasileira que sonham reproduzir aqui o modelo da Aliança do país vizinho. A septicemia da administração argentina, que será formalmente concluída com a acachapante derrota que se avizinha em outubro, serve de alerta para o PT confiável de que é curto e amargo o fim dos aprendizes de gerentes da crise.

Burrice crônica
O acréscimo de um único algarismo aos números já existentes foi capaz de desativar os chamados serviços inteligentes, como siga-me e identificador de chamadas, de clientes da Telemar, que, mais de uma semana depois, ainda não foram reativados. A explicação é inacreditável: aparentemente, a empresa não programou os serviços para passarem a operar com o 2 na frente. Pelo visto, inteligentes só os serviços.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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