Ninguém vive na união ou no estado. Todos vivem no município.

Empresa Cidadã / 14:04 - 20 de mar de 2001

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Nas críticas ao peso dos tributos sobre os cidadãos, todos já ouviram ou falaram que a parte da arrecadação fiscal atribuída aos estados ou à União é exagerada, na medida em que União e estados são abstrações. Ninguém vive neles. Concreto é o município, ao qual cabe a maior parte das responsabilidades da administração pública. Concreto é o município onde as pessoas vivem. Onde vive a empresa-cidadã? A empresa-cidadã vive na província, no estado, no país ou no mundo? O fenômeno da globalização, que tanto bem fez à economia norte-americana, acentuado a partir dos choques do petróleo nos anos 70, pode ser entendido em três dimensões. Uma delas é a globalização do fluxo de bens - compra-se e vende-se cada vez mais coisas. Essa "coisificação" da vida só pode ser realizada em escala planetária a partir de uma outra dimensão da globalização, indissociável da primeira. É a globalização financeira - financia-se cada vez mais a compra e venda de coisas. Nesta dimensão, a globalização acarretou na criação de produtos sofisticados de mercado financeiro e difundiu novos conceitos como derivativos, hedge, investidores institucionais, securitização e outros, além de ajudar na confusão intencional de outros conceitos, como investimento externo, financiamento e empréstimo. No Brasil de hoje, reverencia-se especulador como se investidor fosse, ainda que só se sintam atraídos, como morcegos hematófagos, pelo sangue representado pela remuneração extraordinária que a taxa de juros lhes serve no cálice da dívida pública. Não faltam doadores para esta sangria. Aposentados, a saúde pública, a educação, os salários, o patrimônio representado pelas empresas privatizadas na bacia das almas e outros. A tragédia brasileira está na TV. No Show do Milhão o que mais se assiste é desempregado de todos lugares que gostariam de ganhar R$ 30 ou 40 mil para se livrar do aluguel, sonho que o financiamento habitacional fez desmoronar. Para despertar na casa própria, dependem da ajuda dos universitários, das cartas ou das placas, pois com outra não contam. A globalização de bens e a financeira, no entanto, são precedidas da globalização de valores - da padronização dos gostos, da maneira de ver o mundo. Come-se na China, na África do Sul ou no Brasil o mesmo hamburger, paga-se com o mesmo cartão de crédito, ouve-se a mesma música. Há empresas que atuando neste mercado global e associando a sua marca a causas do bem comum, através de campanhas publicitárias edificantes, podem sugerir que o local da empresa-cidadã é o mundo. Errado. A Coca-Cola, patrocinadora do Rock in Rio, por um mundo melhor, foi multada em Atlanta (EUA), sua província natal, em US$ 197 milhões, através de uma ação judicial de iniciativa popular, por não reproduzir em sua estrutura a composição étnica da região em que a sua sede está instalada. A cidadania empresarial é o exercício dos direitos e deveres pela empresa e estão no município os meios mais eficazes de vigiar, recompensar pelos acertos ou de punir pelos erros. Os investimentos sociais internos das empresas contemplam munícipes, são os seus parentes que se beneficiam de investimentos sociais externos, que primeiro são atingidos pela poluição, que estudam nas escolas construídas com o dinheiro dos impostos. Por isso, a empresa pode ser mundial, nacional ou interestadual. Mas a empresa-cidadã vive no município. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ A Fundação Inepar diminui a exclusão social através de cursos profissionalizantes para comunidades carentes. O Departamento de Ação e Promoção Social Vó Durvina realiza cerca de 25 cursos por ano, beneficiando em média 540 jovens, nas áreas de inglês e espanhol para hotelaria, informática, recepção e outras.

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