No galope da bolsa

Eduardo da Costa Azevedo, ex-presidente da Bovespa, assumiu a presidência da Jockey Club de São Paulo herdando uma dívida de R$ 323 milhões deixada pelo seu antecessor, quase toda relacionada a impostos. “Coxinha”, como era conhecido no mercado de capitais, chamou Horácio Mendonça Netto, ex-superintendente da Bovespa, para realizar o saneamento financeiro da tradicional instituição paulista. Será que entre as soluções existe uma OPI (lançamento de ações na bolsa)?

Hipocrisia
Ressalvadas as condolências protocolares que marcam os momentos de luto, as homenagens prestadas pela dita grande mídia tupinquim a Itamar Franco destina ao ex-presidente uma deferência que nunca lhe soube conceder em vida. Na verdade, Itamar sempre foi não apenas malvisto por esse tipo de imprensa, como era objeto de tentativas recorrentes de desqualificação. No entanto, diferentemente do ex-presidente FH, que tem no ostracismo popular seu contraponto mais emblemático às loas da mídia tucana, Itamar, como provam as suas seguidas eleições – e a puxada de tapete do tucano para afastá-lo do páreo em 1998 – tinha no carinho da população, em particular dos mais humildes, a outra face do desprezo que lhe destinavam a elite financista e seus porta-vozes.

China quer a bola
A serem verídicas as informações sobre os valores oferecidos a Conca, para trocar o Fluminense pelo futebol chinês, por salários que o tornariam o terceiro jogador de futebol mais bem pago do mundo, confirma-se que a escalada da China para o centro do poder mundial não se restringe à economia nem aos avanços tecnológicos. Ciosos de seu papel de futura potência, os chineses parecem visar também a entrar no seleto clube dos gigantes do mais popular esporte do mundo, no qual os ainda hegemônicos passam por um prolongado período de decadência.

Ocupação
A construção de um túnel que ligará a Avenida Jornalista Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes, no bairro do Brooklin, na zona sul de São Paulo, com a construção de um parque no local e a remoção de 40 mil moradores de 16 favelas “é uma iniciativa corajosa. Afinal, por anos se fecharam os olhos ao tipo de ocupação que hoje existe naquele local.”, opina Sérgio Pereira Guimarães Júnior, diretor da Vallor Urbano, empresa especializada na urbanização de áreas.
As ocupações às margens do Córrego Água Espraiada cederão espaço para a nova área verde de 600 mil metros quadrados. A desapropriação é a maior da história da prefeitura paulistana.

Longe dos olhos
Dados da Secretária Municipal de Habitação (Sehab) revelam que 35,06% das favelas (do total 1.597) de São Paulo estão próximas de leitos d”água ou encostas, e que 48,21% das ocupações clandestinas (ao todo 1.008) estão na beira de córregos ou em avenidas de fundo de vale. Sem uma política de ocupação urbana e habitação, os problemas só mudarão de lugar. A prefeitura não pode adotar a política – que já deu péssimos resultados em todo o Brasil – de simplesmente remover o “lixo” de local.

Mais público que privada
As parcerias público-privadas (PPPs) na prefeitura do Rio estão cada vez mais nas costas do estado e do município, denuncia o ex-prefeito Cesar Maia. O metrô Barra-Zona Sul foi concedido em 1997 com 45% de participação do poder público; em 2009, o contrato foi atualizado com 70% de recursos do poder público. A Transolímpica terá pedágio, mas a participação municipal será também de 70%.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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