“No people”

As razões do cancelamento do comício que o presidente Barack Obama intentava fazer na histórica Cinelândia podem ser resumidas em duas palavras: no people. No entanto, a imprensa subserviente ao império estadunidense, ao resistir à idéia de que os brasileiros não compartilham da mesma excitação que lhe provoca a visita de Obama, recorreu a piruetas de estilo para tentar dourar a notícia, como um “jornalão”, que sapecou o seguinte título no rodapé da primeira página: “Obama fará discurso fechado”. Hermético, no caso, não é a fala do presidente dos Estados Unidos, mas a forma constrangida de anunciar a ausência de interesse do público.

Mistura não acidental
Somente ignorância ou oportunismo para uma pessoa dizer, num momento de risco de explosão no reator nuclear no Japão, que o Brasil já viveu acidente envolvendo radioatividade. Como o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) não se encaixa na primeira opção, é o caso de se pensar sobre o que pretende ao citar o acidente com Césio-137, em 1987, em Goiânia, juntando-o no mesmo bolo ao desastre em Three Mile Island, nos EUA. O problema em Goiás ocorreu numa cápsula que continha Césio-137 usada para radioterapia, igual a centenas por todo o Brasil. Ou será que Gabeira está propondo banir o uso de isótopos radioativos também na medicina?

Risco
A Agência Nacional de Petróleo (ANP) inicia consulta pública para novos contratos de concessão e exploração. Já o contrato de partilha está no Congresso para ser votado novamente. E agora, oficialmente, sabe-se que um dos pontos na pauta de conversações entre Barack Obama e Dilma Roussef é a venda antecipada de petróleo do pré-sal. Esse quadro levou o Clube de Engenharia a enviar carta à presidente, advertindo-a que o ritmo de extração de petróleo que querem impor ao Brasil contraria os interesses nacionais, provocando desnacionalização do setor e dificuldades para o desenvolvimento de tecnologia própria.
O Clube adverte que o Brasil começa a ser submetido a forte pressão dos países que estão a caminho de ter suas reservas esgotadas, como é o caso dos EUA, que, em 2015, deve iniciar a fase de declínio da produção de petróleo.
Para o Clube de Engenharia, ao alterar-se o marco regulatório do petróleo, estabeleceu-se o compromisso da produção ser feita em sintonia com a expansão industrial, e capitalizou-se a Petrobras, dando-lhe papel “preponderante de operadora única nas atividades de exploração e produção do pré-sal”. Para o Clube, toda essa situação estratégica e operacional estão em risco.

TI em Macaé
Na próxima terça, a demanda em TI de Macaé – a caminho de ser a Houston brasileira – estará em debate no Hotel Blue Tree Towers. O Macaé Day vai apresentar soluções que possam colaborar no desenvolvimento local, na qualificação do cidadão e no apoio a indústria do petróleo, em painéis como “Produtos e Soluções para Indústria de Petróleo & Gás”, com a participação da gigante nacional Totvs.

Para além do preto e branco
Para o diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro Emanuel Cancella, ao limitar a descrição de Muamar Kadafi a alguém que está há 42 anos no poder sem eleições, o cartel que controla a mídia global, além de empobrecer a informação, dificulta uma compreensão mais ampla das razões que levam o presidente líbio a retomar, com forte apoio popular, o controle da maior parte dos territórios tomados por opositores: “A Líbia detém o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do continente africano e a maior renda per capita da região. Como se não bastasse, a saúde e a educação são oferecidas gratuitamente ao povo. É o dinheiro do petróleo aplicado em beneficio da população, já que a Líbia está entre os países detentores das maiores reservas de petróleo e também é um dos grandes exportadores de hidrocarboneto do mundo”, observa Cancella, em artigo na da Agência Petroleira de Notícias.

Explosão dos palpiteiros
A proliferação de especialistas em assuntos nucleares que pululam no noticiário desses dias só fica a dever a duas categorias: a dos jornalistas ingênuos e/ou acríticos que ouvem a grande maioria dessas fontes e a dos leigos sem qualquer massa crítica para processar as “explicações” e explicações dos entendidos.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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