No Rio, violência contra a mulher aumentou 10% na quarentena

Violência física subiu de 60,8% em 2019 para 68,8% em 2020; sexual subiu de 55,4% em 2019 para 72,4% em 2020.

Rio de Janeiro / 16:55 - 5 de jun de 2020

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A proporção de crimes mais graves contra a mulher no estado do Rio de Janeiro, ocorridos dentro de casa, aumentou entre 13 de março e 30 de abril de 2020. A avaliação faz parte do Monitor de Violência Doméstica durante o período do distanciamento social divulgado hoje pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio.

O início do período analisado coincide com o começo do isolamento social no estado. Segundo a diretora-presidente do ISP, Adriana Mendes, nos crimes de violência física a alta ficou em 10% na comparação ao mesmo período do ano passado. Nos crimes de violência sexual o índice subiu 17% em relação a 2019. Quando a análise se refere ao total dos registros dos crimes, os de violência física representam 68,8%, enquanto no ano passado eram 60,8%. Já os de violência sexual o percentual subiu de 55,4% em 2019, para 72,4% em 2020.

Embora a proporção tenha aumentado, houve redução de 65,4% nos números gerais dos registros de crimes de violência moral contra a mulher. Enquanto em 2020 foram 1.571, no ano passado ficaram em 4.537. Os de violência patrimonial caíram 60,8% saindo de 822 em 2019 para 322 em 2020. Os crimes de violência psicológica tiveram queda de 58,8%. Em 2020 são 2.467 contra 5.993 em 2019. Na violência sexual a redução ficou em 51,6% (464 em 2020 contra 959 em 2019). Na violência física foram menos 43,7% (3.321 em 2020 contra 5.889 em 2019). Ainda conforme o Monitor, os crimes tipificados pela Lei Maria da Penha apresentaram diminuição de 48,5% (5.457 em 2020 contra 10.594 em 2019).

"Aí quando observamos os números de ligações do 190, esses números, ao contrário dos registros de ocorrência, aumentam. Na comparação com o mesmo período de 2019, a gente observa um aumento de 12% no número de ligações, justamente, porque essa mulher, no momento em que está em casa tem dificuldade de deslocamento e permanece mais tempo com o seu agressor. Isso propicia o seu pedido de socorro"

Das 119.577 ligações que geraram ocorrências recebidas pelo Serviço 190 em 2020, 13.065 foram referentes a crimes contra a mulher. Esse total representa 10,9% de todas as ligações, e significou o aumento de 12% em relação ao mesmo período de avaliação do ano passado. Cada ligação recebida pelo Serviço 190 é categorizada como ocorrência, informação, elogio, trote, queda, entre outros. No Monitor, foram consideradas somente as ligações categorizadas como ocorrência. O Serviço 190 e a Patrulha Maria da Penha, também da Secretaria de Estado de Polícia Militar, estão funcionando normalmente, apesar das medidas restritivas de afastamento social.

Já na Central de Atendimento do Disque Denúncia, o número de ligações apresentou redução de 60,6% das relativas à violência contra mulher. No período entre 13 de março e 30 de abril de 2020 foram 43 contra 109 em 2019.

As formas de violência são como violência física (homicídio doloso, feminicídio, tentativa de homicídio, tentativa de feminicídio e lesão corporal dolosa), violência sexual (estupro, tentativa de estupro, importunação sexual, importunação ofensiva ao pudor, assédio sexual e ato obsceno), violência psicológica (ameaça e constrangimento), violência moral (calúnia, injúria, difamação e divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia) e violência patrimonial (violação de domicílio, supressão de documentos e dano).

 

Agência Brasil

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