Nobel de Literatura vai para Bob Dylan

Internacional / 05:38 - 13 de out de 2016

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O prêmio Nobel de Literatura 2016 foi atribuído a Bob Dylan, por ter criado novas formas de expressão poéticas no quadro da grande tradição da música americana, anunciou hoje a Academia Sueca. Bob Dylan é o nome artístico de Robert Allen Zimmerman, nascido em 24 de maio de 1941 - compositor, cantor, pintor, ator e escritor norte-americano. Nascido no estado de Minnesota, neto de imigrantes judeus russos, aos 10 anos Dylan escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho. Começou cantando em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, mas quando foi para a Universidade de Minnesota em 1959, voltou-se para a folk music, impressionado com a obra musical do lendário cantor folk Woody Guthrie, a quem foi visitar em Nova York em 1961. Em 2004, foi eleito pela revista "Rolling Stone" o sétimo maior cantor de todos os tempos e, pela mesma revista, o segundo melhor artista da música de todos os tempos, ficando atrás somente dos Beatles. Uma de suas principais canções, Like a Rolling Stones, foi escolhida como uma das melhores de todos os tempos. Em 2012, Dylan foi condecorado com a Medalha da Liberdade pelo presidente dos EUA Barack Obama. Em uma curta entrevista após anunciar o Nobel de Literatura para o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, a secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, disse que Dylan mereceu o prêmio por ser "um grande poeta na grande tradição poética inglesa". - Ele encarna essa tradição - disse Sara, lembrando que há 54 anos o cantor, poeta e compositor se reinventa, criando novas identidades. Instada a escolher uma canção emblemática do Nobel da Literatura, Sara Darius disse que o álbum "Blonde on Blonde", de 1966, "é um exemplo extraordinário da sua forma brilhante de rimar e do seu pensamento pictórico". A representante da Academia Sueca lembrou ainda, quando questionada sobre a especificidade da poesia de Dylan, que foi escrita para ser cantada e que também Homero e Safo, há mais de 2 mil anos, escreveram poesia para ser ouvida. Em 2015, o Nobel da Literatura foi atribuído à escritora bielorrussa Svetlana Aleksievitch. Atribuído pela primeira vez em 1901, ao francês Sully Prudhomme, o Nobel da Literatura, um dos mais midiáticos ao lado do Nobel da Paz, é sempre anunciado a uma quinta-feira, normalmente na primeira semana de outubro, na mesma semana em que os outros quatro prêmios criados por Alfred Nobel são anunciados. Este ano, no entanto, o prêmio para a área da Literatura é o último a ser anunciado, algo que a Academia Sueca atribuiu a questões de calendário, mas que os meios de comunicação suecos suspeitam dever-se à dificuldade dos membros em chegar a um acordo sobre um nome. Desde 1901, quando os prémios Nobel foram atribuídos pela primeira vez, foram entregues 108 prêmios da Literatura, 14 dos quais a mulheres. Os prêmios nasceram da vontade do químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) de doar a sua imensa fortuna para o reconhecimento de personalidades que prestassem serviços à humanidade. O inventor da dinamite expôs este desejo num testamento redigido em Paris em 1895, um ano antes da sua morte. Os prêmios foram atribuídos pela primeira vez em 1901. Aos 90 anos, morre Dario Fo - No mesmo dia, faleceu hoje em Milão, aos 90 anos, o vencedor da premiação em 1997, o italiano Dario Fo. De acordo com o diretor do departamento de Pneumologia do hospital Sacco, Luigi Legnani, onde Fo estava hospitalizado, o escritor havia sido "internado há 10 dias por uma insuficiência respiratória ligada a uma doença pulmonar existente há anos - uma doença silenciosa e progressiva". As informações são da agência Ansa. Escritor, dramaturgo, ator, diretor, pintor, cenógrafo, Fo era um artista completo e, como se definia, "um giullare" moderno. A expressão refere-se aos artistas medievais que faziam de tudo ou ainda aos bobos da corte que entretinham a realeza. Ao lado da esposa, Franca Rame, o italiano tornou-se um dos maiores símbolos da cultura local, e também um dos mais destacados ativistas do país. No dia em que foi premiado com o Nobel, em 9 de outubro de 1997, a academia lhe entregou a honra dizendo que, "seguindo a tradição dos 'giullares' medievais, ele delega poderes ao restituir a dignidade aos oprimidos". Fo deixa um filho, Jacopo, fruto de seu longo casamento com Rame - falecida em 2013. Com informações da Agência Brasil, citando a Ansa e a Lusa

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