Nome aos bois

Enquanto o MM denunciou, na edição de quinta-feira, a ação de paramilitares no ataque ao opositores da ditadura de Hosni Mubarak, no mesmo dia, as agências internacionais de notícias, secundadas pelos seus replicadores tupiniquins, insistiam em qualificar o fato de conflito entre oposicionistas e “defensores de Mubarak”. No dia seguinte, o embaixador do Brasil no Egito, Cesario Melantonio Neto, sem usar a expressão paramilitares, culpou pelo confronto os “supostos apoiadores do governo”, na verdade, segundo ele, “policiais à paisana”, acusando-os de atacar opositores com barras de ferra e facas, entre outros tipos de objetos.

Na carne
Nesta quinta, quando os “apoiadores do governo” passaram a agredir e roubar jornalistas estrangeiros, as agências de notícias internacionais começaram a ensaiar um movimento para informar melhor seus leitores.

Alimentando a crise
Os países árabes importam cerca de 60% dos alimentos que consomem e já são os maiores importadores de cereais no mundo, dependendo de outros países para a sua segurança alimentar. A informação, publicada em relatório do Banco Mundial (Bird), em 2009, é lembrada pelo professor de Relações Internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser em artigo na edição eletrônica da Agência Carta Maior, para observar como a elevação dos preços das commodities agrícolas no mercados mundiais, desde 2008, levou a “ondas de protestos em dezenas de países e milhões de desempregados e pobres nos países árabes”. Ele cita Argélia , em 1988, e Jordânia em 1989, para acrescentar: “Um exemplo mais recente, além da região árabe, é o Quirguistão, onde um aumento da eletricidade e tarifas de celulares causaram manifestações com dezenas de mortos e milhares de feridos.”

Segunda fase
A Cruz Vermelha Brasileira do Rio de Janeiro informa que encerrou sua campanha emergencial de recebimento de donativos de gêneros e materiais para as vítimas da Região Serrana. A entidade continua arrecadando recursos em dinheiro para atuar em uma segunda fase da campanha, com a criação de centros de convivência para fazer atendimento psicológico às famílias vitimadas pelo desastre e de prevenção. Qualquer quantia poderá ser depositada em nome da Cruz Vermelha – RJ, no Banco Real (356), agência 0201, conta corrente 1793928-5, CNPJ-RJ 08560973/0001-97.

Mais rígida
A Lei de Improbidade Administrativa estabelece sanções para punir os atos irregulares praticados por agentes públicos. No entanto, a legislação não apresenta um critério para a aplicação das penas, que fica a cargo do juiz. Falta ao Judiciário entender que os cargos públicos se diferenciam dos cargos da esfera privada, pois demandam maior responsabilidade dos dirigentes, opina o advogado Renato Poltronieri, do escritório Demarest & Almeida. Para Poltronieri, o administrador incompetente, e não apenas aquele que pratica ato de enriquecimento ilícito, também deve ser punido: “Mesmo sem ter a intenção, o administrador pode causar prejuízos. A pena só não seria aplicada, segundo o advogado, se o dano for causado por um ato fora do controle do agente público.

Cuba dá samba
Mais nova escola de samba de Florianópolis, com apenas três anos de existência, e vice-campeã do Carnaval catarinense, a União da Ilha da Magia vai homenagear Cuba no seu terceiro ano de desfiles. Com o enredo “Cuba sim! Em nome da verdade”, ela prestará a primeira homenagem de uma agremiação carnavalesca brasileira à revolução cubana, que completa 52 anos em 2011, coincidindo ainda com os festejos pelo bicentenário das independências dos países na América do Sul, iniciados em 2010: “Este enredo quer mostrar a saga de um povo que sonhou revolução e lutou para conquistar sua independência. Um lugar onde se vive sem miséria ou fome e que mantém acesa a chama dos ideais de liberdade, mesmo com todo o sofrimento do bloqueio que lhes é imposto pela “nação” à qual eles tiveram a ousadia de dizer não”, diz a sinopse do enredo.

Saco sem fundo
Em 2010, último ano do Governo Lula, o setor público brasileiro torrou R$ 195 bilhões em pagamento de juros da dívida pública. No mesmo período, o superávit primário (desvio de recursos para gastar com juros) atingiu R$ 101,696 bilhões, ou 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso deveria implicar um encolhimento proporcional do débito. No entanto, em 2010, a dívida saltou para R$ 1,694 trilhão, R$ 197 bilhões maior do que em 2009.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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