Nomenclatura

Uma das principais caixas pretas do país, o Banco Central está negociando, através de sua diretoria, sua reestruturação com os caciques governistas do Congresso Nacional. Embora se trate de interlocutores legítimos, porque ungidos pelo voto popular, o assunto é demasiadamente importante para ter sua solução restringida a manobras de bastidores.
O desejo já formalizado pelo BC é dividir a instituição em duas partes. A primeira, associada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Superintendência de Seguros Privados (Susep), responderia pela fiscalização desses mercados, enquanto à segunda caberia o controle da política monetária.
Apresentada como meramente técnica, a mudança se insere no modelo norte-americano, que substituiu seu banco central por um banco federal, enfeixando poderes impensáveis, como revela a transformação de Alan Greespan no principal oráculo da globalização. Além disso, a fiscalização do BC, já de padrão pouco efetivo, se somaria às já caricatas performances da CVM e da Susep. Ou seja, em fez de ganhar músculos, ampliaria sua flacidez.
Os funcionários do banco se mobilizam para fazer da reestruturação da instituição o principal tema da 18ª Plenária Deliberativa Nacional da categoria, que será realizada entre os dias 12 e 15, em São Paulo. É um primeiro e importante passo, que deveria, entretanto ser seguido por um amplo debate nacional, que envolva o conjunto do Parlamento e todos os segmentos interessados nos destinos do principal ícone da nomenclatura que, entra governo, sai governo, segue dirigindo, com mão de ferro, os destinos de 160 milhões de brasileiros.

Estranho no ninho
Um dos raros candidatos do PSDB eleitos prefeitos de capital no primeiro turno, o tucano Firmino Filho sintetizou no seu slogan da campanha uma das melhores explicações para o seu sucesso particular e para a derrota nacional do seu partido: “Fica Firmino, fora FHC!”.

Lucro
A Bolsa do Rio de Janeiro parece ter saído no lucro ao ser obrigada ficar com o mercado de títulos e deixar o de ações somente para a Bolsa de São Paulo (Bovespa). Na sexta-feira o Sisbex, da BVRJ, movimentou R$ 1,923 bilhão em títulos. No mês o volume financeiro já soma R$ 6.901.251.453,05. Enquanto isso a Bovespa negociou pouco mais de R$ 600 milhões na sexta-feira.

Direção perigosa
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que se mostrava arredio e recusava falar à imprensa, nas duas últimas semana, sexta-feira se ofereceu para dizer que recebeu convite do diretor-geral do FMI, Horst Köhler e aceitou integrar a comissão encarregada de mudar o rumo da intervenção da instituição nos mercados financeiros mundiais. Fraga disse que a comissão anti-crise vai ser integrada por mais um representante da Alemanha, dois dos Estados Unidos e outro do Egito. Confirmou que embarca, nesta segunda-feira, para Washington, para a primeira reunião dos membros da comissão. “Acredito que o FMI sentiu necessidade de refletir sua atuação e priorizar a prevenção”, disse.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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