No ano passado, quando o Credit Suisse ainda não parava de analisar a situação das empresas do setor de construção para fazer o lançamento de suas ações, diversos economistas procuraram mostrar que estava havendo uma saturação no mercado devido ao grande número de lançamentos de imóveis e também da elevada quantidade de ações. E essas foram as duas principais razões para que os analistas passassem a não recomendar a compra dos papéis de companhias desse setor. Resultado: em 2006, a cotação dos títulos das imobiliárias no primeiro dia de negociação subia mais de 10%. Em 2007, caiam 10% no dia da estréia.
Agora, as novas empresas suspenderam as emissões, pois os analistas começaram a entender realmente dos movimentos contábeis do setor e os investidores não acreditam mais na possibilidade de que todo empreendimento lançado é facilmente absorvido. O sinal vermelho surgiu nessa semana, quando a Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário cancelou o empreendimento de alto padrão Horizontes Brooklyn por absoluta falta de compradores. Aliás, a diferença entre alto padrão na Zona Sul do Rio e na correspondente em São Paulo é gritante, pois na primeira o preço do imóvel de luxo varia de R$ 1,2 milhão a R$ 1,5 milhão, enquanto na segunda vai de R$ 700 mil a R$ 900 mil.
Em cinco meses, a CCDI vendeu apenas dez das 78 unidade oferecidas. Também, deve ter cometido um tremendo erro de marketing, pois foram para uma região sabidamente saturada, o Brooklyn, que desde março de 2006 já tinha recebido 18 empreendimentos. Não se preocupando muito com os direitos humanos dos seus acionistas., a Camargo Corrêa não revelou como será feito o cancelamento das dez vendas realizadas, apenas disse que está amparada legalmente.
Klabin Segall vai brigar em Guarulhos
A Klabin Segall lançou o empreendimento residencial Parque do Sol, com 550 unidades, de dois e três dormitórios e prestações mensais a partir de R$ 286, cujo valor geral de vendas (VGV) soma R$ 57,8 milhões e sua participação é 100%. Como o terreno é no município de Garulhos, resta saber se a Klabin vai proceder como a Camargo Correa e cancelar o lançamento se houver qualquer imprevisto. Por falar em Kablin Segall, a empresa apresentou números modestos no ano passado e um lucro merreca de R$ 27 milhões.
CR2 vai para região saturada
Embora não tenha se expandido no Rio de Janeiro, a CR2 Empreendimentos Imobiliários resolveu aumentar suas atividades na saturada Região Metropolitana de São Paulo. Para tanto, comprou um terreno de 6.880m², em Guarulhos, no qual vai instalar o Manau II, com VGV total estimado de R$ 33,6 milhões, no qual sua participação é de 86%. Como o conjunto residencial terá 420 unidades de 51 metros quadrados e valor médio estimado em R$ 80 mil, o nosso Comitê de Defesa dos Direitos Humanos dos Investidores chegou à conclusão de que se trata de um empreendimento para anões de baixa renda.
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