Nos EUA, empresas mudam regras para beneficiar CEOs na pandemia

Executivos ganharam 29% mais, enquanto trabalhadores perderam 2%.

Relatório divulgado nesta terça-feira pelo Institute for Policy Studies revela que 51 dos 100 maiores empregadores que pagam salários mais baixos nos Estados Unidos mudaram regras para beneficiar seus executivos, que receberam aumentos médios de 29%, enquanto seus funcionários da linha de frente viram os salários minguar 2% menos.

Entre essas 51 empresas, a remuneração média do CEO era de US$ 15,3 milhões em 2020, enquanto a remuneração média dos trabalhadores era de US$ 28.187 em média, uma proporção de 830 para 1. A pesquisa abrangeu corporações que integram o índice S&P 500.

 

Alguns destaques do relatório:

– As manipulações comuns incluíam a redução dos níveis de desempenho para ajudar os executivos a atingir as metas de bônus, concessão de bônus especiais de “retenção”, exclusão dos resultados ruins do segundo trimestre das avaliações e substituição do pagamento baseado no desempenho por prêmios baseados no tempo.

– 16 empresas encerraram 2020 no vermelho. Esse grupo com prejuízo e perda de lucros tinha a maior remuneração média de CEO, US$ 17,5 milhões.

– Como as mulheres e pessoas não-brancas representam uma grande parcela dos trabalhadores de baixa renda e uma pequena parcela dos líderes corporativos, as divisões salariais extremas entre CEOs e trabalhadores aumentam as disparidades raciais e de gênero.

– As divisões salariais extremas também diminuem a eficácia organizacional. Décadas de estudos apoiam a “Teoria do Esforço Salarial Justo” da secretária do Tesouro Janet Yellen, de 1990, de que as grandes disparidades salariais minam o moral e a produtividade dos funcionários.

As revelações devem aumentar o apoio à proposta do presidente Joe Biden de elevar a taxação sobre quem ganha mais. Há também um projeto de lei pendente no Congresso, o Tax Excessive CEO Pay Act, que propõe usar a política tributária para incentivar as empresas a reduzir a desigualdade salarial, restringindo a remuneração dos executivos e aumentando os salários dos trabalhadores.

Um caso exemplar da diferença de tratamento é relatado na YUM Brands, proprietário da KFC, Pizza Hut e Taco Bell. O CEO, David Gibbs, doou US$ 900 mil de seu salário para pagar bônus de US$ 1 mil para gerentes gerais de restaurantes. Mas o Conselho de Administração mudou suas métricas para dar a Gibbs um bônus especial em dinheiro, mais ações. O total alcançou 2,5 vezes o corte voluntário de seu salário. Gibbs recebeu em 2020 US$ 14,6 milhões – 1.286 vezes mais do que o salário médio dos trabalhadores, que ficou em US$ 11.377.

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