Nosso lado

Insuspeito neodefensor da Petrobras, o consultor David Zylbersztajn tinha opinião bem diversa sobre os interesses nacionais na época em que ocupava o cargo de diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo. Em 18 de abril de 2001, por exemplo, ao comentar a resistência da Petrobras a permitir o uso do Gasoduto Brasil-Bolívia pela British Gas em condições que a estatal brasileira lhe considerava desfavoráveis e sancionadas  pela ANP em favor da empresa britânica, o então genro do presidente FH abriu o coração: “Eles vêem o lado deles e nós vemos o nosso.”

Bolívia olvidada
A mesma imprensa tupiniquim que parece, agora, ter descoberto a Bolívia ignorava em seu noticiário de fevereiro de 2000 um mega vazamento de cerca de 5 mil barris de óleo no altiplano daquele país. Na mesma época, um derramamento de cerca de 7,5 mil barris de óleo na Baía de Guanabara era manchete diária em todos veículos. Fora provocado pela Petrobras.
Já a empresa responsável pelo oleoduto na Bolívia, a Transredes S/A, era, então, controlada por Shell e Enron, que somavam 50% das ações. Os outros sócios eram fundos de pensão bolivianos (34%) e empregados da Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos (16%). A Transredes também era sócia da Petrobras na construção do Gasoduto Brasil-Bolívia.
Sociedade restrita ao papel e aos lucros; porque os investimentos couberam à estatal brasileira na sua maior parcela, apesar de o controle do empreendimento ficar a cargo da associação Shell-Enron.
A semelhança entre os dois acidentes terminava no fato de ambos ocorrerem em oleodutos. Os efeitos e as ações nas duas situações eram bem distintas. Na Bolívia, apesar de a quantidade derramada ter sido pouco inferior ao caso carioca, os estragos ao meio ambiente e à população local foram muito sérios e se perpetuaram por vários anos. As multinacionais devem indenizar a população de lá em US$ 150 mil.
No mesmo período, a Petrobras já pagara R$ 1,708 milhão (quase US$ 1 milhão pela cotação da época) em indenizações e previa que a reparação do estrago custariam R$ 110 milhões.

DNA tucano
O tucanato que hoje eriça os pelos simulando a defesa da Petrobras é o mesmo que, quando no governo FH, obrigou a estatal a iniciar as operações do Gasoduto Brasil-Bolívia quando este operava com menos de 40% de sua capacidade, por falta de demanda. Apesar disso, pela forma de contrato firmado – pagamento firme – a estatal era obrigada a pagar pelo recebimento de 30 milhões m3 por dia independentemente da quantidade que fosse entregue.

Mídia em debate
O Ciclo de Debates Brasil Trabalhista, série de encontros promovidos pelo PDT, terá como tema, hoje, O papel da mídia nas eleições e os inúmeros aspectos da relação entre política e imprensa. O evento, que começa às 18h30m, na sede do partido, na Rua Sete de Setembro 141, reunirá o cientista político da UFRJ Aluizio Alves Filho e o presidente da ABI, Maurício Azedo.

Gol
Jogadores e personalidades do futebol brasileiro entraram em campo para apoiar a campanha Fiz um Gol pela Infância Brasileira!, que a Legião da Boa Vontade (LBV) lança no próximo dia 17 em todo o Brasil. Autografaram uma camisa exclusiva craques como Robinho, Cafu, Juninho Pernambucano, Cicinho, Ricardinho e Roger, além dos técnicos Carlos Alberto Parreira e Zagallo. Artistas também participam da campanha, cujo objetivo é contribuir para a manutenção e o aprimoramento do trabalho socioeducacional que a LBV presta a milhares de pessoas em situação de pobreza. Gravaram um CD com músicas os cantores Chico César, Jair Rodrigues e Luciana Mello, entre outros.

Fragilidade exposta
O tremor causado nas hostes pefelistas e tucanas há poucas semanas pelos sussurros de que o candidato do PSDB, José Alckmin, já teria sido ultrapassado nas pesquisas eleitorais pelo candidato do PMDB, seja ele Itamar Franco ou Anthony Garotinho, reafirma quão frágil é a polarização Lula x Alckmin. Independentemente da consistência das informações “plantadas” em colunas ou que circulam nos bastidores, seus efeitos mostram o potencial do estrago de que é portador um nome fora do condomínio PT/PSDB. Bem, como ajudam explicam os alvos para os quais apontam as baterias da mídia tucana.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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