Notícia velha

Ainda na penumbra a relação entre a grande mídia e os escândalos que hoje ela noticia com vigor. Não faltam indícios a serem investigados. Emílio Odebrecht, o patriarca, relatou, em delação, a constituição, com a Globo e mais duas ou três empresas, na era FHC, de uma “sociedade privada” destinada a fazer lobby pela privatização da telefonia pública e pela quebra do monopólio do petróleo. Em outro depoimento, fala de ajuda explícita a alguns veículos. Os jornalões destacaram a CartaCapital, mas não puderam evitar que o patriarca da Odebrecht os citasse. “O Estadão, várias vezes. Na época do Mesquita ainda. Do Julio Mesquita”, disse. O procurador quis saber se a ajuda seria nos mesmos moldes daquela dada à CartaCapital. “Mesmo. Nesse molde. Eram dificuldades momentâneas dos veículos.” A diferença, ressaltada pelo advogado, era que o pedido de ajuda à revista teria partido de Lula, enquanto as empresas tradicionais iam diretamente à Odebrecht, sem intermediação política. “Exatamente! Perfeito. Pronto, chefe. Essa é que eu acho que é a diferença. Gazeta Mercantil? Era o (Herbert) Levy direto”, relatou Emílio.

No Rio de Janeiro, a Globo, que hoje é a primeira na fila para bater em Sérgio Cabral, passou oito anos de lua de mel com o então governador. Não por falta de negócios suspeitos para investigar. A maior parte do que hoje virou processos contra Cabral já havia sido denunciada no blog do também ex-governador Anthony Garotinho. Com pouca repercussão nas redações dos jornalões.

Didaticamente, Emílio Odebrecht pergunta e conclui: “A imprensa toda sabia de que efetivamente o que acontecia era isso. Por que agora estão fazendo tudo isso? Por que não fizeram isso a dez, 15, 20 anos atrás? Porque tudo isso é feito há 30 anos.”

 

Bolivarianos

A TV Cultura reconhece que censurou parte da apresentação da banda Aláfia no programa Cultura Livre. Alega que foi para “evitar polarizações”. Na atração, o grupo fez críticas ao prefeito de São Paulo, João Doria, e ao governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. A Cultura é controlada pelo governo paulista através da Fundação Padre Anchieta.

 

Aplicativos ilusórios

A justiça de São Paulo repetiu o que vem ocorrendo em outros países e reconheceu o vínculo trabalhista entre um motorista e o Uber. Ainda cabe recurso, mas é um indicativo de que os métodos da empresa norte-americana não são mais aceitos tão facilmente.

Esta coluna já denunciou que Uber e similares não têm nada de inovador: são empresas que exploram o trabalho, com o agravante que nem ao menos fornecerem os meios de produção (o carro). Algo tão novo quanto a Revolução Industrial.

A sina dos aplicativos segue ladeira abaixo. Leitor escreve reclamando da 99 Táxis, da qual é usuário habitual. Se tem a vantagem de trabalhar com um sistema plenamente legalizado, a empresa não escapa, porém, de críticas.

Solicitei uma viatura com desconto de 30%. (…) Ao chegar, o taxímetro marcava pouco mais de R$ 33. Ora, com o desconto de 30%, o valor cairia para R$ 23. Mas o motorista afirmou que o valor a ser pago seria o demonstrado no aplicativo calculado pela empresa, que apontou pouco mais de R$ 33. É a primeira vez que tenho problemas com o 99”, reclama.

 

Mais bolivarianos

O maior número de decisões reconhecendo vínculo trabalhista entre Uber e motoristas ocorre nos Estados Unidos e Reino Unido. Criticado por ser um “dinossauro” na questão das relações de trabalho e de ter leis que impedem a livre iniciativa, o Brasil ainda engatinha nesta questão, com a justiça dividida sobre o tema.

 

Rápidas

Abrindo os debates para a edição 2017 do Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp), que acontece em novembro deste ano, a Anahp vai realizar no dia 27 de abril, no Rio de Janeiro (RJ), o primeiro seminário do ano, no Prodigy Hotel Santos Dumont. Assim como o Conahp, o tema dos seminários será “O Hospital do Futuro: o Futuro dos Hospitais”. Inscrições gratuitas em http://bit.ly/2nOFtiT *** Trabalhadores de TI do Estado de São Paulo aprovaram a adesão à greve geral nacional dia 28 próximo. Os bancários do Rio, também *** Neste domingo, na Av. Paulista, será inaugurada a exposição fotográfica UGT 10 anos: 17 objetivos para mudar o mundo, início da celebração da União Geral dos Trabalhadores pelo 1º de Maio – Dia do Trabalhador *** Estão abertas, até 3 de maio, as inscrições para o processo seletivo da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. Inscrições no site da instituição (www.einstein.br) *** Como o Facebook pode aumentar a visibilidade do seu negócio? É o que o Sebrae vai mostrar dia 26, no Shopping Jardim Guadalupe (RJ), a partir das 19h *** A noite de autógrafo no Rio de Janeiro do livro Sonhar Alto Pensar Grande (Gente Editora), de Theunis Marinho, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos -SP (ABHRH-SP) será na Livraria Travessa do Shopping Leblon, dia 26, às 19h.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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