Nota vermelha

Apesar de elogiar a posição do governo na Alca e OMC e a proposta de programa conjunto de desenvolvimento no Mercosul, o XX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (Since), realizado em Belém na última semana, reprovou a atual política econômica. “É lícito afirmar que taxa de crescimento em torno de 4%, mesmo que permanente, é insatisfatória. Deve-se considerar insuficiente qualquer crescimento a taxa inferior a 7%, que o Brasil já obteve no passado”, alertam os economistas. “A simples absorção da mão-de-obra nova que se apresenta anualmente ao mercado exige incremento anual do PIB de 5% a 7%.”

Mesmo rumo
“A estratégia econômica em curso no país não difere, significativamente, da que nos condenou a 25 anos de lento crescimento. Deveríamos valorizar a exportação de produtos com mercado mundial dinâmico, o que implicaria em conceder papel dominante à empresa privada nacional nessa política”, defendem os economistas que participaram do XX Simpósio Nacional.

Médicos na tela
Obras raríssimas de pintores como Cândido Portinari (que retrataram médicos entre 1870 e 1970), que fazem parte dos acervos da Academia Nacional de Medicina e da UFRJ, foram restaurados pela Escola Superior de Belas Artes da universidade e poderão ser vistas pelo público a partir desta sexta-feira. A exposição, com 140 quadros, patrocinada pela Casa de Saúde Santa Lucia, marca os 175 anos da Academia Nacional de Medicina.

Dependência
Existem 500 jornais diários no Brasil, cuja tiragem soma apenas 6 milhões de exemplares. Os dados foram apresentados pelo presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Fernando Rodrigues, durante debate, ontem, na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). Rodrigues citou os dados para argumentar que, tão importante quanto o debate sobre a profissão, é discutir a realidade do mercado de trabalho: “Quantos desses órgãos podem competir em liberdade total, se a maioria depende da mídia governamental?”

Quebra coco
Será lançado, hoje, às 19h, no Museu da República, no Rio, o documentário Roça crua – as roças orgânicas das quebradeiras de coco do Maranhão. Dirigido por May Waddington, o vídeo narra, em 30 minutos, como o desenvolvimento do movimento daquelas trabalhadoras “ajuda a curar as feridas da terra, destruída por décadas de atividade pecuária irracional”. “Além de conquistarem o direito à terra e à libertação do coco de babaçu, as mulheres quebradeiras resolvem recuperar o solo estragado implementando o projeto das roças orgânicas, nos qual não se utiliza veneno nem fogo. Desta forma, demonstram a outros agricultores familiares e aos grandes fazendeiros da região que é possível tirar o sustento da terra sem comprometer o futuro das novas gerações”, conta May, que participa de debate, após a exibição, ao lado de Raimundo Ermino, do Movimento das Quebradeiras; José Augusto Pádua, do IFHCS; e Paulo Petersen, da revista Agriculturas – Experiências em Agroecologia.

Microinvestimento
Apresentado pelo senso comum como campeão de investimentos e geração de empregos no mundo contemporâneo, o setor de telecomunicações no Brasil convive com investimentos modestos. Segundo o Levantamento de Pequenas e Médias Empresas da América Latina de 2004 do Yankee Group, cerca de 60% das pequenas e médias empresas brasileiras do setor têm orçamento de até US$ 30 mil. O levantamento considerou como pequenas as empresas que empregam de 20 a 99 funcionários e médias, as com 100 a 499 funcionários. O segmento de voz continua a ser o que mais pressiona os custos de telecomunicações das pequenas e médias empresas.

República dos bancos?
O ministro José Dirceu tem razão: que democracia é esta em que o único preço que não pode ser debatido à luz do dia é o do dinheiro (juros)?

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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