Nova era

Não por acaso, os mais crédulos foram os mais desorientados e os primeiros a se somarem à corrente pela divinização dos poderes de polícia mundial do império ferido. No entanto, para além da tragédia que vitimou número ainda incerto de vidas, a análise sobre as conseqüências para o Brasil da tragédia norte-americana enseja lições que apontam na direção oposta da apregoada pelos apóstolos das relações carnais com Washington. O sentimento de incerteza que tomou conta do coração financeiro do mundo revelou, de forma dramática, os riscos a que estão expostos os países que dependem sistemicamente do fluxo de capitais externos para fechar seu balanço de pagamento.
Ao contrário dos que pregam mais dependência, o episódio ensina justamente que, quanto menor a dependência externa, menor a fragilidade dos países, principalmente em momentos de crise. O mesmo raciocínio se aplica à defesa do prendo e arrebento, vomitado por um Bush aturdido e sem noção do seu papel no mundo atual. Todos os indicadores humanos, econômicos, militares e políticos sinalizam que tal política, além de inconsistente, tem tanta sustentabilidade quanto o fundamentalismo do déficit zero cavalliano.
O mundo não será mais o mesmo, não porque, a partir de agora, sua única superpotência terá um cheque em branco ilimitado para suas ações, mas, sim, porque, sua fragilidade exposta em tempo real e em imagens sem retoques, aponta para a impossibilidade da continuidade da civilização sem uma ampliação dos centros de decisão, tanto para isolar fundamentalismos, quanto para manter sob controle o caldo de cultura da perversão social e econômica do qual se alimentam os novos profetas da barbárie.      

Wall Street
As bolsas norte-americanas só voltarão a operar segunda-feira, às 10h30m (horário de Brasília). É o mais longo período em que as bolsas dos Estados Unidos permanecem fechadas desde a deflagração da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). As três principais bolsas (Nasdaq, American Stoch e Bolsa de Valores de Nova York – Nyse) estão situadas em Wall Street, o centro financeiro da ilha de Manhatann, ou seja, na mesma área onde funcionava o World Trade Center. Pelo visto, os responsáveis pelos atos terroristas tinham como alvo não apenas o símbolo do capitalismo financeiro – o WTC – mas também o centro da especulação mundial. Existe expectativa muito forte quanto ao comportamento dos mercados na sua reabertura, até porque é grandiosa a perda de documentos e arquivos de computadores contendo ordens de compra e venda e relação de títulos custodiados.

Petróleo louco
A Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade moção de repúdio contra a propaganda da Petrobras que vem sendo veiculada nas redes de TV. O deputado federal Luis Carlos Heinze (PPB-RS), presidente da comissão, afirmou estar indignado com o comercial da empresa, que, para ressaltar seu sistema de qualidade, sugere que a pecuária brasileira está com o mal da “vaca louca”. De acordo com o parlamentar, esta é uma situação que atinge, não só aos interesses da pecuária, como ao conjunto da economia brasileira. “Essa infeliz iniciativa poderá ter reflexos na área internacional e prejudicar anos de negociações, fazendo o Brasil perder preciosos mercados, duramente conquistados”, reclamou o deputado gaúcho.

Consternação global
A velocidade e a forma de cobertura dos meios de comunicação está servindo para mudar os critérios de avaliação dos terríveis efeitos de atos de vandalismo e terrorismo. Ver ao vivo na televisão um Boeing se chocar numa torre gigante é algo estarrecedor. Fica, então, a pergunta: como a opinião pública mundial reagiria se visse pela TV, em todas as cores possíveis, os efeitos das bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki?

Troiano
As últimas investidas do ministro Domingo Cavallo contra o Mercosul reforçam as suspeitas, já levantadas por esta coluna, entre outros observadores, de que entre os condicionantes do empréstimo de US$ 8 bilhões do FMI para a Argentina está a cabeça do Mercosul e a adesão sem delongas à Alca.

Sem garantia
Desconfie sempre da maneira como a imprensa manipula os números. A advertência de mestre Aloysio Biondi continua mais atual do que nunca. A propaganda da mídia “chapa branca” de que o governo pretende manter os preços dos remédios congelados até o fim de 2002 esbarra em pequena, porém decisiva concessão aos grandes laboratórios, que poderão elevar os preços dos remédios em janeiro. Ou seja, embora prometa congelamento por um ano, o tucanato só garante a promessa por quatro meses.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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