Nova ordem mundial multipolar é imparável

Brics ampliado é ferramenta para uma nova ordem mundial, como projeta o ministro das Relações Exteriores da Rússia

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sergei lavrov
Sergei Lavrov (foto de Alexander Zemlianichenko Jr, Xinhua)

A emergência de uma nova ordem econômica global, mais justa, é um processo “imparável”, afirmou na quinta-feira o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

O principal diplomata russo fez a declaração durante uma entrevista de final de ano para a agência de notícias RIA Novosti, onde resumiu os resultados deste ano e os objetivos estratégicos da Rússia e delineou as principais tendências para o próximo ano.

“A mudança para uma ordem econômica mundial mais justa é, sem dúvida, imparável”, disse Lavrov, acrescentando que a formação de um mundo multipolar já começou.

“Todos estão cansados do dólar, que se tornou um instrumento de influência, uma ferramenta para minar as posições competitivas legítimas de países em diferentes regiões e uma ferramenta que está a ser usada para interferir nos assuntos internos de outros países”, disse Lavrov. Ele acrescentou que a Rússia se esforçará para desenvolver relações com a “maioria global”.

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Um dos instrumentos do novo mundo multipolar a que se referiu o ministro russo é a ampliação do Brics. O grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul será ampliado a partir de 1º de janeiro com a entrada da Arábia Saudita, Irã, Egito, Emirados Árabes e Etiópia.

A Argentina também foi aprovada, na 15ª Cúpula do Brics, em agosto, para ingressar no bloco, informalmente chamado de Brics+. Mas o novo presidente do país, Javier Milei, enviou carta ao Brics afirmando que “não considera oportuno” participar do grupo de nações emergentes.

O Brics atualmente representa mais de 42% da população mundial, 30% do território do planeta e 18% do comércio internacional.

Este ano, as economias dos Brics ultrapassaram as que compõem o G7 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, além da União Europeia), segundo o site Silk Road Briefing, levando em conta o poder de paridade de compra (PPC).

Os atuais Brics agora contribuem com 31,5% do PIB global, enquanto a participação do G7 caiu para 30%. Espera-se que os Brics contribuam com mais de 50% do PIB global até 2030, com a ampliação que começa em 2024.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sua entrevista semanal Conversa com o Presidente, em 29 de agosto, que o Brics passou a ser mais “poderoso, forte e importante” do que o G7 depois da cúpula realizada em Joanesburgo em que foi anunciada a expansão do bloco.

O Brics ampliado terá 72% de terras raras (e 3 dos 5 países com as maiores reservas); 75% do manganês mundial; 50% do grafite; 28% do níquel; e 10% do cobre mundial (excluindo as reservas do Irã), além de reunir os maiores produtores e exportadores de óleo e gás do mundo e também 2 dos maiores importadores: China (1º) e Índia (3º).

Com Agência Xinhua

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