Nova ordem

O debate sobre o Banco do Sul pode liderar uma discussão de alternativa à atual arquitetura financeira internacional, capitaneada pelo dólar. A opinião é de Pedro Páez, economista do Banco Central do Equador, que esteve recentemente no Brasil. Segundo ele, o enfraquecimento da moeda norte-americana também faz perder força o “bloco do dólar” na região. Isso, aliado à existência de uma enorme liquidez nas economias dos países latino-americanos, possibilita a busca concreta por alternativas – como, aliás, Brasil e Argentina começam a fazer no início de 2008.

Controle cambial
O editor de economia internacional do Daily Telegraph, Ambrose Evans-Pritchard – consagrado porta-voz do establishment britânico, segundo o boletim eletrônico Resenha Estratégica -, vê, alarmado, a perspectiva de que governos europeus, tendo à frente o presidente francês Nicolas Sarkozy, estabeleçam medidas radicais para deter a crise financeira mundial, como o controle do câmbio.
O alarme foi disparado pelo presidente da gigante aeroespacial Airbus, Thomas Enders, que vê sua empresa ir para o espaço diante de um euro se aproximando do câmbio recorde de 1,50 contra o dólar. Diz Evans-Pritchard: “Uma coisa é certa: o presidente francês Nicolas Sarkozy não irá deixar a Airbus quebrar.”
Segundo a Resenha, quatro anos atrás, uma agência pouco conhecida da Comissão Européia escreveu um relatório explorando a base legal para medidas de estabilização da moeda. Depois de esquadrinhar os tratados e procedimentos jurídicos da União Européia, ela concluiu que Bruxelas pode impor “restrições quantitativas” aos fluxos de capitais.

Pioneiros
O World Economic Forum anunciou as 39 “empresas visionárias” selecionadas para a versão 2008 do seu programa Pioneiros Tecnológicos. Vinte e três são dos EUA; Israel e Suíça aparecem com três nomes cada; Reino Unido e Suécia, com dois; e Canadá, França, Alemanha, Índia, Holanda e Rússia; com um representante cada um. O Brasil não tem nenhum representante na lista – o que, em se tratando de WEF, pode ser até uma boa notícia. A lista completa de Pioneiros Tecnológicos está disponível em www.weforum.org/techpioneers/2008

Homenagem
Os quatro nomes indicados para Contabilista do Ano de 2007 são Júlio Sérgio de Souza Cardoso, ex-presidente da Ernst & Young; Natan Szuster, professor da Uerj e da UFRJ; Lino Martins da Silva, controlador da Prefeitura da Cidade do Rio; e Carlos de La Rocque, presidente da Junta Comercial. O prêmio foi lançado este ano pela Faculdade Moraes Júnior-Mackenzie Rio para homenagear os profissionais da área que mais se destacaram em 2007. Estudantes e profissionais do ramo poderão votar, a partir de 3 de dezembro e até 31 de março, em um dos indicados, através do site www.mackenzierio.edu.br

Perna-de-pau
Em apenas três setores – roupas, tênis e brinquedos – há uma perda de arrecadação de pelos menos R$ 20 bilhões anuais por causa da pirataria. Um balanço das ações do Grupo Regional de Combate à Pirataria no Rio de Janeiro, coordenado pela Firjan e que reúne associações empresariais, órgãos de governo e autoridades de segurança, será divulgado nesta segunda. Uma das ações prevista para 2008 é o lançamento de uma cartilha que será entregue aos alunos do Sesi e das escolas estaduais, já que o público jovem é um dos principais consumidores dos produtos piratas, segundo as entidades.

BB calmante
O atendimento preferencial do Banco do Brasil (BB) oferecido pela agência da Avenida Marechal Floriano, no Centro do Rio, tem a preferência pela espera prolongada. Após pegarem a senha, os clientes chegam a aguardar até duas horas para serem atendidos. Enquanto a fila de pessoas físicas bomba, a de pessoas jurídicas tem movimento tão fraco que, se os funcionários quiserem, podem até jogar cartas ou acessar a Internet. A situação somente não é mais grave porque, devido à longa espera, existem clientes que até cochilam enquanto aguardam.

De terceira
Num contributo para o registro do passivo das privatizações tupiniquins, esta coluna relembra que o Bahia foi o primeiro clube do país a ser transformado em S/A. Administrado desde 1998 pelo Grupo Opportunity, o clube, num curto período de sete anos, até 2005, desabou da Primeira para a Terceira Divisão. Este ano, ao garantir o retorno à Segundona, foi a vez de seu estádio, a Fonte Nova, desabar.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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