Nova taxa Selic pode afetar fundos imobiliários e ações

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, nesta quarta-feira, elevar a taxa Selic para 6,25% ao ano, um aumento de 1 ponto percentual sobre a taxa anterior, de 5,25%. O novo índice não foi novidade, pois o próprio BC vinha afirmando esse patamar de aumento. Para dezembro, quando haverá a próxima e última reunião do ano, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude.

Apesar de a elevação da Selic não ser surpresa, a nova taxa terá impacto nos investimentos favorecendo alguns e influenciando negativamente outros. A reportagem do Monitor Mercantil reuniu alguns depoimentos sobre isso.

João Beck, economista e sócio da BRA Investimentos, observou dois destaques bem importantes no comunicado do Banco Central, expedido logo após a divulgação do novo índice. “Primeiro, o reconhecimento do Banco Central de que achou a nova velocidade de aperto, ou seja, de aumento da taxa de juros. Esse aumento de 1 ponto percentual é a velocidade adequada para todo balanço de risco atual. A gente vinha num aumento de 0,75 ponto percentual que foi acelerada para 1 ponto percentual”, explica o economista.

Segundo ele, o BC agora entende que essa velocidade é a nova velocidade de cruzeiro das altas subsequentes e já sinaliza alta de mais um ponto para reuniões seguintes. “Isso é interessante porque o mercado imaginava que essa aceleração seria de 1,25 ponto percentual e o Banco Central afirmou que continua sendo de 1 ponto percentual”.

Impacto da China

Na opinião de João Beck, o outro ponto de destaque é que o Banco Central não faz nenhuma citação direta ao que está ocorrendo na China. Mas em dois momentos do comunicado faz certa alusão. No primeiro cita que no balanço de risco está considerando uma desaceleração das economias asiáticas e cita que é pelo motivo da variante Delta. “Em outro momento, considera uma redução do preço das commodities como fator favorável para a inflação brasileira”, sublinha.

“No curto prazo, a alta de juros de 1 ponto percentual não agita tanto o mercado, pois já é um aumento projetado e também sinalizado no comunicado da penúltima reunião”, explica. Na opinião dele, o tipo de risco que ainda não está resolvido no Brasil é o hidrológico. “Isso ainda é uma incógnita. O volume de chuvas daqui para frente vai determinar se teremos mais inflação e combinada com eventual racionamento e desaceleração da economia por conta desse risco”, avalia.

João Beck lembra que o ciclo de alta da curva já se iniciou desde o início do ano. “A alta da inflação no Brasil que seria esperada por consequência da Covid-19 foi surpreendida ainda por diversos eventos adicionais como risco hídrico e geadas, o que fez o Brasil ter uma das maiores altas de taxas de juros do mundo. Com a economia em desarranjo, o consumidor é impactado de qualquer forma. Com alta de juros ou alta de inflação. Juros em alta é ruim para todos os setores, mas é um remédio amargo para conter o pior que é a inflação”, analisa.

Impacto

A análise de Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, com a Selic a 6,25%, é o impacto que isso terá no bolso do investidor. Segundo ele, a alta da Selic influencia no mercado de renda fixa porque ela fica mais interessante. “Os pós-fixados imediatamente começam a render mais com a alta da Selic. Já para o prefixado e prefixado atrelado ao IPCA acredito que não vai mudar muita coisa, pois essa alta de juros já foi precificada anteriormente”.

Para ele, o investidor já deveria ter se antecipado, já que o mercado está dando há um tempo algumas boas oportunidades no prefixado com taxas elevadas. “Como na semana passada o mercado acreditava em uma alta de 1,25% na Selic e essa expectativa mudou para 1% após a fala do presidente do Banco Central, quem aplicou em prefixado na semana anterior está ganhando mais dinheiro do que aplicando agora”, cita Jansen Costa.

Um aspecto negativo da elevação da taxa de juros é o impacto negativo nos fundos imobiliários e ações. “Tendem a performar pior. Obviamente com os juros subindo, o investidor acaba sendo atraído a trocar a renda variável por uma renda fixa com uma taxa muito melhor do que estava em janeiro, por exemplo”, avalia o consultor.

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