Novamente a inflação

Entre a PEC dos Precatórios na Câmara e um IPCA elevado, não faltaram notícias que movimentaram os preços dos ativos brasileiros.

Chegamos ao final da segunda semana de novembro com diversas notícias relevantes para o mercado. Entre a divulgação do CPI acima do esperado nos EUA, a votação da PEC dos Precatórios na Câmara em segundo turno e um IPCA extremamente elevado, não faltaram notícias que movimentaram os preços dos ativos brasileiros.

Em primeiro lugar, a Câmara aprovou na madrugada de terça para quarta-feira a PEC dos Precatórios em segundo turno, resistindo a uma movimentação intensa de certas lideranças políticas que pretendiam adiar em uma semana a votação. Com isso, apesar de confirmada a alteração do marco fiscal (e a consequente perda de validade do teto como uma âncora macroeconômica no Brasil), parece reduzido o risco de que o governo opte pela adoção de uma Medida Provisória de forma a garantir a expansão do seu programa social.

Esta alternativa seria, evidentemente, pior para a dinâmica dos mercados. De toda forma, persistem riscos em relação à tramitação da matéria no Senado, enquanto o governo pressiona para que a PEC seja aprovada até o próximo dia 20 (sábado), de forma a viabilizar o pagamento do benefício ainda em dezembro.

Pelo lado da inflação, surpresas negativas, tanto aqui no Brasil como nos EUA. Lá fora, o CPI subjacente avançou impressionantes 0,6% no mês, com uma composição que mostra, por um lado, avanço nos preços dos bens decorrente ainda dos problemas das cadeias logísticas globais e, por outro lado, avanço na parte de serviços evidenciando o momento positivo da economia americana. Tudo mais constante, este movimento da inflação deverá manter o foco absoluto no Fed ao longo do primeiro trimestre do ano que vem. Será difícil imaginar que, na falta de um arrefecimento quase que imediato do índice de preços, a autoridade monetária não tenha de discutir uma aceleração do ritmo de tapering e, ao mesmo tempo, a possibilidade de mais altas de juros ao longo do ano que vem.

Aqui no Brasil o IPCA surpreendeu amplamente as expectativas e voltou a obrigar revisão das projeções para este ano e o ano que vem. A pressão foi disseminada entre administrados, industriais e também nos serviços. Esta elevada difusão da aceleração inflacionária evidencia que o choque é maior e mais persistente do que o que supomos anteriormente. Assim, revimos a nossa projeção de IPCA em 2022 para 5,4%, notadamente acima do centro da meta (3,5%), e também do limite superior da banda de tolerância (5%).

O que mais impressiona é que, apesar do desenvolvimento elencado acima, os ativos brasileiros tiveram desempenho muito satisfatório. Vimos apreciação do dólar, fechamento de juros futuros e avanço da Bolsa. Tudo mais constante, a sinalização parece ser que o mercado estava se preparando para um resultado pior da PEC dos Precatórios e, dada a zeragem de posição ocorrida ao longo das últimas semanas, estava “leve” o suficiente para avançar ante as notícias.

Para as próximas semanas, ficaremos muito atentos ao avanço da PEC dos Precatórios no Senado. Uma resolução rápida ajudará muito para manter a razoável tranquilidade observada ao longo desta semana.

Por outro lado, se a dinâmica inflacionária seguir desta forma, o mercado terá de aumentar a probabilidade (já elevada) do próximo movimento do Copom ser de 2% ao invés de 1,5%. Já escrevemos extensivamente a respeito e, dada a dinâmica recente, há efetivamente motivo para defender este movimento ainda mais agressivo da autoridade monetária.

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Felipe Sichel

Estrategista-chefe do Banco Digital Modalmais

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