Novo aumento nos combustíveis para evitar ‘riscos de abastecimento’

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira que vai reajustar os preços da gasolina e do diesel em suas refinarias a partir desta terça-feira. O litro da gasolina vendido pela empresa às distribuidoras passará de R$ 2,98 para R$ 3,19, o que representa um aumento de R$ 0,21 ou de cerca de 7%.

A empresa afirma que a parcela da gasolina vendida nas refinarias no preço final do produto encontrado nos postos chegará a R$ 2,33, com um aumento de R$ 0,15. A variação é menor que os R$ 0,21 de reajuste nas refinarias porque a gasolina tem uma mistura obrigatória de 27% de etanol anidro.

Já o litro do diesel passará a ser vendido por R$ 3,34 nas refinarias da Petrobras, o que representa um aumento de cerca de 9% sobre o preço médio atual, de R$ 3,06. No caso do diesel, a Petrobras calcula que o impacto para o consumidor final seja um aumento de R$ 0,24, porque o diesel vendido nos postos tem uma mistura obrigatória de 12% de biodiesel.

A justificativa, segundo e empresa, é que os reajustes no preço garantem que o mercado “siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento”. “O alinhamento de preços ao mercado internacional se mostra especialmente relevante no momento que vivenciamos, com a demanda atípica recebida pela Petrobras para o mês de novembro de 2021. Os ajustes refletem também parte da elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo, impactados pela oferta limitada frente ao crescimento da demanda mundial, e da taxa de câmbio”, afirma a empresa.

Diante dos diversos reajustes realizados no valor dos combustíveis, os setores contribuintes para a economia brasileira precisaram se adaptar ao novo cenário. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em sua última correção, o diesel ficou R$ 0,25 mais caro nas bombas, encarecendo quase 24% em 2021.

Levantamento realizado pela Petrobras destacou que no decorrer do ano o preço do litro do insumo essencial para o transporte rodoviário de cargas (TRC) acumulou uma alta de 51% nas refinarias, impactando o preço a ser pago nas bombas de combustível. Segundo a ANP, o avanço na concentração oscila entre 36% para gasolina e 37% para o diesel, refletindo diretamente no segmento. De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste do Paraná (Sintropar), Antonio Ruyz, o diesel é parte vital para as atividades das transportadoras, sendo responsável por cerca de 50% do faturamento das operações. “Como o diesel é o nosso principal elemento de trabalho hoje, qualquer aumento impacta imediatamente os transportadores paranaenses, porque é preciso abastecer diariamente os caminhões. Os custos operacionais estão elevadíssimos e seguem subindo, de modo que ele acaba se tornando um grande vilão dentro do segmento”, explica Ruyz.

Levantamento realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontou que mais de 60% de tudo o que é transportado no Brasil passa pelo modal rodoviário, que possui grande importância para a economia do país. Portanto, o presidente destaca que o segmento deve se manter atento e buscar novas soluções. “Até o momento, a elevação no preço do diesel ainda não comprometeu o escoamento. No entanto, o transportador hoje não consegue mais absorver todos esses aumentos que vêm ocorrendo na cadeia de transporte, seja no óleo diesel, na mão de obra, nos pneus ou na manutenção, o que nos leva a buscar novas alternativas”, aponta. Atuando no TRC há mais de 15 anos, Eduardo Ghelere, diretor executivo da Ghelere Transportes, transportadora associada ao Sintropar, e suplente de diretoria do sindicato, ressalta que o aumento do combustível tem afetado diretamente o caixa das empresas.

“A demora na recuperação de tarifa aliada ao grande impacto do diesel no custo da operação fará talvez com que algumas empresas não tenham tempo de sobreviver a este período de alta. As transportadoras tendem a ser resilientes, pois têm custos flexíveis e se adaptam com facilidade, mas se tratando do principal insumo, se não for possível recompor rapidamente as tarifas, a conta chegará rápido”, alerta o executivo. Pautada nos altos custos dos combustíveis, uma discussão que vem ganhando espaço e sendo apontada como alternativa para a situação é uma outra forma de calcular o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Foi aprovado em 13 de outubro pela Câmara dos Vereadores o Projeto de Lei complementar (PLP) que altera o modo como são feitas as cobranças dos combustíveis, com base no imposto.

Segundo a apuração mais recente da ANP, os tributos federais e estaduais correspondem a aproximadamente 40,7% do preço da gasolina, por exemplo, comprometendo boa parte do valor que será praticado nos postos. Ghelere destaca que apesar de a PLP trazer um reparo para o atual cenário, a solução para o real problema é muito mais complexa. “No caso do diesel, o ICMS é um item importante, mas o cenário é bem maior que este. Convenhamos que é importante tratar deste tema e ter uma solução em definitivo, até porque os estados aumentaram a pauta de ICMS e tiveram arrecadação recorde em cima de um produto que é básico para o funcionamento de qualquer atividade. No entanto, essa alternativa não deve ser encarada como controle, e sim como alternativa para um problema que já vem incomodando há bastante tempo, que é a arrecadação desenfreada do estado”, ressalta.

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