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quinta-feira, janeiro 21, 2021

Novo Severino

Apesar do brutal desgaste acumulado perante a opinião pública, o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ganhou novo fôlego como candidato da base governista na briga por sua reeleição no episódio do aumento de salário de 90% para os parlamentares. Diferentemente do líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia, com quem disputa o cargo e que exibiu visível constrangimento no papel de candidato a presidente do Sindicato dos Deputados, Aldo mostrou impressionante pragmatismo e desembaraço na defesa dos interesses do baixo clero da Casa. Sua performance o transformou em forte candidato a substituir Severino Cavalcanti no imaginário daquele grupo, ainda que algum verniz mais ideológico.

O processo
Um correntista do Banco do Brasil teve creditado no fim do mês passado, em sua conta, pouco menos de R$ 20, depósito justificado pela enigmática explicação “CDR Instrução”. Movido por curiosidade ausente nos mensalistas que receberam depósitos incomparavelmente mais vultosos e regulares em suas contas, ligou para o sistema de atendimento do banco (0800 785678). Lá, a primeira funcionária que o atendeu orientou-o a ligar novamente e digitar 9. Pedido obedecido, um funcionário o repassou a uma terceira voz, que lhe informou cuidar apenas de cartões de crédito e orientou o cliente a ligar novamente. Mais uma tentativa e um atencioso funcionário, depois de cerca de dez minutos, confessou ignorar o sentido da explicação, bem como todos a que consultara. Solícito, porém, ofereceu ao cliente a alternativa de “abrir um procedimento, para que em até 72 horas o banco respondesse”. Sem o mesmo talento imaginativo de Kafka, o correntista declinou da oferta, ponderando ser burocracia excessiva para seu grau de curiosidade.

Quase lá
Em tempo: recorrendo a uma agência bancária, o cliente descobriu que, no burocratês do Banco do Brasil, CDR é sigla de crédito. Na explicação de um gerente, “crédito segundo uma instrução”. Ao indagar sobre qual seria essa instrução, o cliente entendeu, pelo ar de perplexidade do bancário, ser essa uma investigação destinada a ser tão interminável quanto a mais famosa obra do genial escritor theco.

“Caveirão” v.2.0
O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) está desenvolvendo o projeto de um veículo blindado para a área de segurança pública, a pedido do Instituto de Segurança Pública (ISP), do Estado do Rio de Janeiro. O projeto recebeu, na última sexta-feira, R$ 231 mil da Faperj. De acordo com o major Paulo Roberto Rocha Aguiar, responsável pelo projeto, os atuais blindados utilizados pela PM, os chamados “caveirões”, enfrentam dificuldades de mobilidade. O estudo deverá se estender aos veículos tradicionais da PM.

Reunificação
A Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), a Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) e a Social-Democracia Sindical (SDS) preparam a unificação das três centrais sindicais.  Em reunião, ontem, na sede da sede da CGT, em São Paulo, representantes das três entidades criaram comissões para dar continuidade ao processo de fusão e marcaram a retomada das negociações para o primeiro trimestre de 2007. Caso a união se concretize, contribuirá para reduzir um pouco a atomização da cúpula do movimento sindical. As centrais sindicais são o único nível não atingido pelo princípio legal da unicidade sindical. Et por cause, até o fechamento desta coluna, o país tinha sete centrais sindicais.

Companheiros liberais
Titular do Ministério de Minas e Energia durante o apagão no governo FH e vice de Geraldo Alckmin na campanha derrotada para presidente da República, o senador José Jorge (PFL-PE) vai presidir a Empresa Energética de Brasília (CEB) no governo de José Arruda, no Distrito Federal, ano que vem. O mais curioso, porém, é a forma como o PFL transformou a acomodação de um senador derrotado no único governo que o partido elegeu este ano. Em seu site, o PFL afirma que a nomeação de “um ex-ministro de Minas e Energia para o secretariado do governo do Distrito Federal é indicação da qualidade da nova equipe”. Pelo visto, para os pefelistas, aparelhamento do Estado apenas quando se trata de petistas ocupando cargo de Estado.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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