Novo Severino

Apesar do brutal desgaste acumulado perante a opinião pública, o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ganhou novo fôlego como candidato da base governista na briga por sua reeleição no episódio do aumento de salário de 90% para os parlamentares. Diferentemente do líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia, com quem disputa o cargo e que exibiu visível constrangimento no papel de candidato a presidente do Sindicato dos Deputados, Aldo mostrou impressionante pragmatismo e desembaraço na defesa dos interesses do baixo clero da Casa. Sua performance o transformou em forte candidato a substituir Severino Cavalcanti no imaginário daquele grupo, ainda que algum verniz mais ideológico.

O processo
Um correntista do Banco do Brasil teve creditado no fim do mês passado, em sua conta, pouco menos de R$ 20, depósito justificado pela enigmática explicação “CDR Instrução”. Movido por curiosidade ausente nos mensalistas que receberam depósitos incomparavelmente mais vultosos e regulares em suas contas, ligou para o sistema de atendimento do banco (0800 785678). Lá, a primeira funcionária que o atendeu orientou-o a ligar novamente e digitar 9. Pedido obedecido, um funcionário o repassou a uma terceira voz, que lhe informou cuidar apenas de cartões de crédito e orientou o cliente a ligar novamente. Mais uma tentativa e um atencioso funcionário, depois de cerca de dez minutos, confessou ignorar o sentido da explicação, bem como todos a que consultara. Solícito, porém, ofereceu ao cliente a alternativa de “abrir um procedimento, para que em até 72 horas o banco respondesse”. Sem o mesmo talento imaginativo de Kafka, o correntista declinou da oferta, ponderando ser burocracia excessiva para seu grau de curiosidade.

Quase lá
Em tempo: recorrendo a uma agência bancária, o cliente descobriu que, no burocratês do Banco do Brasil, CDR é sigla de crédito. Na explicação de um gerente, “crédito segundo uma instrução”. Ao indagar sobre qual seria essa instrução, o cliente entendeu, pelo ar de perplexidade do bancário, ser essa uma investigação destinada a ser tão interminável quanto a mais famosa obra do genial escritor theco.

“Caveirão” v.2.0
O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) está desenvolvendo o projeto de um veículo blindado para a área de segurança pública, a pedido do Instituto de Segurança Pública (ISP), do Estado do Rio de Janeiro. O projeto recebeu, na última sexta-feira, R$ 231 mil da Faperj. De acordo com o major Paulo Roberto Rocha Aguiar, responsável pelo projeto, os atuais blindados utilizados pela PM, os chamados “caveirões”, enfrentam dificuldades de mobilidade. O estudo deverá se estender aos veículos tradicionais da PM.

Reunificação
A Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), a Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) e a Social-Democracia Sindical (SDS) preparam a unificação das três centrais sindicais.  Em reunião, ontem, na sede da sede da CGT, em São Paulo, representantes das três entidades criaram comissões para dar continuidade ao processo de fusão e marcaram a retomada das negociações para o primeiro trimestre de 2007. Caso a união se concretize, contribuirá para reduzir um pouco a atomização da cúpula do movimento sindical. As centrais sindicais são o único nível não atingido pelo princípio legal da unicidade sindical. Et por cause, até o fechamento desta coluna, o país tinha sete centrais sindicais.

Companheiros liberais
Titular do Ministério de Minas e Energia durante o apagão no governo FH e vice de Geraldo Alckmin na campanha derrotada para presidente da República, o senador José Jorge (PFL-PE) vai presidir a Empresa Energética de Brasília (CEB) no governo de José Arruda, no Distrito Federal, ano que vem. O mais curioso, porém, é a forma como o PFL transformou a acomodação de um senador derrotado no único governo que o partido elegeu este ano. Em seu site, o PFL afirma que a nomeação de “um ex-ministro de Minas e Energia para o secretariado do governo do Distrito Federal é indicação da qualidade da nova equipe”. Pelo visto, para os pefelistas, aparelhamento do Estado apenas quando se trata de petistas ocupando cargo de Estado.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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