É interessante como a Internet fez com que fossem aparecendo novos destinos turísticos. Pequenas ilhas, cidades do interior, castelos nunca divulgados passaram a ser almejados pelos turistas. Esta nova tendência trouxe um novo perfil do turista: aquele que viaja por conta própria para buscar novas emoções. Cada vez mais, a viagem está ligada a uma fuga momentânea do cotidiano estressado, que leva ao não convencional.
Assim, é necessário que nos estruturemos para tal realidade. Em primeiro lugar, as cidades devem ter seus atrativos sinalizados, preferencialmente em dois idiomas, dependendo dos maiores centros emissores para aquele local, além de postos de informações funcionando 24 horas e um toll free que permitirá uma orientação adequada, evitando possíveis transtornos, como assaltos.
Num segundo momento a população também tem que ser trabalhada. Lembro-me do projeto de conscientização turística “O turista é um amigo cuide bem dele”, desenvolvido em 1998 mas que não foi levado adiante. Assim é preciso que se resgate a auto estima dos habitantes locais para que tenham condições de receber com dignidade o consumidor turístico. As escolas tem papel fundamental neste sentido, pois formam o cidadão de amanhã e devem preservar na criança o respeito e valorização do seu entorno turístico.
O importante é vislumbrar que o novo consumidor demanda serviços diferentes dos que hoje oferecemos: para ele, por exemplo, o agente de viagens não é um “formatador de pacotes” mas um consultor de viagens, além de buscar meios de hospedagem mais simples. No Brasil, é interessante que só nos preocupamos com a construção de grandes complexos de luxo, esquecendo o consumidor de médio poder aquisitivo, que se hospeda em albergues, pousadas ou ainda campings. Sauípe, por exemplo atendeu esta tendência: hotéis de luxo e pousadas temáticas.
Esta nova realidade demanda uma mudança grande nos rumos dos serviços: esperando qualidade por um preço satisfatório, o consumidor quer descobrir algo que o fascina, o deslumbra mas não é corriqueiro. Por outro lado três preocupações vão acompanhar o novo turista: o meio ambiente, a economia e a segurança.
A cidade tem que demonstrar o seu compromisso com o meio ambiente, desenvolvendo campanhas para a sua preservação e mostrando que está preocupada com a qualidade de vida. Turistas Europeus estão optando por países e estabelecimentos que sejam prioritariamente favoráveis ao meio ambiente. Um exemplo concreto, é o selo verde de qualidade eco turística que será implantado na região das Agulhas Negras, em dezembro.
Economias estáveis também dão segurança ao turista. Mudanças contínuas nas moedas, câmbios e imagem econômica contribuem para uma confusão na hora da escolha de um destino. Finalmente, o fator segurança propriamente dito é decisivo no momento da opção de férias. A segurança não pode ser vistas apenas como um policiamento ostensivo. É primordial que sejam desenvolvidas políticas que demonstrem ao policial sua importância conscientizando-o do seu trabalho e atribuindo a ele a função de um anfitrião e amigo da comunidade e dos turistas.
A atividade turística não pode se limitar a promoção no exterior e a confecção de material promocional. Antes de mais nada tem que cuidar da melhoria da infra-estrutura, da preparação da mão de obra e da população além de vislumbrar sempre a diminuição das barreiras sociais que geram uma guerra indireta. Novos ventos sopram com as eleições que acabaram de acontecer e mostram as novas tendências dos administradores, que o povo deseja: participativa, com ordem e respeitando o meio ambiente e o cidadão. O turismo deve caminhar nesta linha, de adesão ao novo conceito de ordenamento das cidades, com serviços municipalizados mas sobretudo com a certeza de que o turismo diminuirá sensivelmente os problemas sociais e será uma alternativa para o desenvolvimento sustentável, na geração de empregos.
Bayard Boiteux
Diretor da Escola de Turismo da UniverCidade e fundador do movimento Loucos e Apaixonados pelo Turismo Brasileiro.















