Número de famílias inadimplentes volta a cair em São Paulo

Inadimplência de maio deve estimular o consumo das famílias paulistanas, mas no Sudeste, mineiros foram os que mais regularizaram dívidas em janeiro

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Carteira com cartões de crédito (Foto; Wilson Dias/ABr)
Carteira com cartões de crédito (Foto; Wilson Dias/ABr)

Após um período de estagnação, a inadimplência voltou a cair em São Paulo. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), apontam uma queda no porcentual de famílias com contas em atraso – de 22,6% em abril para 21,9% em maio. A redução foi ainda maior em comparação a maio de 2023, que registrou um índice de 23%. Outro dado positivo revelado pela pesquisa foi quanto à quantidade de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas em atraso, que diminuiu de 9,8%, em abril, para 9,4%, em maio.

Na análise da Fecomércio-SP, esse contexto favorável pode ser explicado pela queda na inflação em relação ao primeiro trimestre de 2024, quando principalmente os alimentos sofreram aumento, provocado pelo fenômeno El Niño. No entanto, em maio, a demanda menos aquecida e a estabilização climática promoveram avanços mais modestos nos preços, contribuindo para um ajuste melhor no orçamento e maior potencial de pagamentos de dívidas em atraso.

A pesquisa mostrou ainda que houve redução do tempo médio de comprometimento da renda com dívida em atraso: de 65,5 dias, em maio de 2023, para 65,2 dias, no mesmo período deste ano. Vale ressaltar que a maior parte das dívidas não passa de 90 dias, o que torna mais fácil o seu pagamento e menor cobrança de juros.

As famílias com renda mais baixa (até 10 salários mínimos) foram as principais responsáveis por esse cenário favorável. Isso aconteceu porque o porcentual de inadimplência caiu de 26,1% para 25,3%, entre abril e maio, e é ainda mais significativo se comparado ao ano anterior, quando estava em 27,7%. As famílias com renda mais alta (acima de 10 salários mínimos) também registraram uma queda, mas em menor relevância (-0,8%). Além disso, ainda está com um nível de inadimplência superior ao registrado no ano passado.

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Se, por um lado, a queda na inflação abre mais espaço nas finanças domésticas, por outro, é natural que isso estimule o consumo e, consequentemente, aumente os compromissos com crédito. O levantamento aponta que o endividamento das famílias atingiu 71,7% em maio, maior patamar desde junho do ano passado. Hoje, um terço (31,2%) de tudo o que as famílias recebem é destinado às dívidas – que, em média, se prolongam por oito meses, o que ainda é considerado saudável. O principal fator que compõe esse endividamento é o cartão de crédito, que alcançou 88,1%, maior nível desde maio de 2022.

Por outro lado, o crédito pessoal sofreu uma queda significativa, passando de 15,9%, em abril, para 14,1%, em maio. Isso reforça o bom momento da economia, já que a modalidade é utilizada para necessidades de curto prazo – ou seja, esse cenário indica um alívio financeiro no orçamento. Assim, diante de um orçamento mais folgado, as famílias já estão fazendo novos planos de consumo. A pesquisa aponta que 18% pretendem contrair algum crédito nos próximos três meses. A maior parte (87%) deseja comprar algum item; já o restante (8,6%) pretender quitar dívidas.

Na análise da Fecomércio-SP, os números da Peic mostram uma tendência positiva para o endividamento e a inadimplência. Com mais emprego e a inflação reduzindo sua pressão, principalmente sobre os alimentos, haverá mais espaços e oportunidades para o pagamento de compromissos em atraso, fator que deve contribuir para o mercado de crédito e a redução de juros, além de impulsionar o consumo dos lares paulistanos.

Já o Indicador de Recuperação de Crédito da Serasa Experian revelou que 61,4% das dívidas de consumidores inadimplentes no Sudeste do país, vencidas em janeiro, foram ressarcidas em até 60 dias do mês de referência. O estado que mais quitou débitos foi Minas Gerais (63,6%).

A análise nacional mostrou que do total de dívidas de consumidores inadimplentes negativadas em janeiro deste ano, 59,7% (ou seis em cada 10) foram regularizadas ou renegociadas em até 60 dias do mês de referência. Os dados são do Indicador de Recuperação de Crédito da Serasa Experian e mostram, ainda, que as contas com valor acima de R$ 10 mil foram as maiores contempladas, com 70,8% de pagamentos.

A visão por setores das dívidas sanadas revelou que utilities (contas de água, gás e energia) foi o maior foco dos consumidores: do total de contas negativadas nesta área, 71,0% foram pagas ou renegociadas em até 60 dias após a negativação. O segmento que menos recebeu pagamentos foi o de telefonia (7,8%).

Ainda, segundo o Indicador de Recuperação de Crédito da Serasa Experian, o ranking das regiões seguiu com a liderança da Região Sul (64,2%), seguido pela Sudeste (61,4%), Centro-Oeste (60,9%), Norte (58,2%) e Nordeste (54,7%). No detalhamento por unidades federativas, foi o Acre que se destacou, com 70,2% das contas negativadas em janeiro regularizadas em até 60 dias do vencimento.

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