Número um

Se a oposição brasileira critica os negócios entre a empresa do filho de Lula e a Oi, teria uma síncope se fosse a Angola. Isabel dos Santos, filha do presidente do país africano, José Eduardo dos Santos, é uma das maiores empresárias angolanas e uma das principais investidoras em Portugal. Na banca portuguesa, tem 9,7% do BPI e 25% do BIC Portugal; é parceira da Portugal Telecom na Unitel, maior empresa privada de Angola; e dona de 6% da Galp. Recentemente, a Kento – holding de Isabel – anunciou a aquisição de 10% do capital da portuguesa Zon Multimédia, que, por sua vez, detém 30% do capital de uma associação com a empresa da filha do presidente angolano para exploração de um serviço de televisão paga via satélite em Angola.

Vírus superestimado
Enquanto o Brasil se prepara para iniciar uma discutida vacinação contra a gripe A, na Inglaterra os serviços telefônicos de esclarecimento sobre a doença foram desativados. No auge da histeria midiática sobre a doença, chegou-se a prever que morreriam 65 mil pessoas no Reino Unido vitimadas pelo vírus H1N1; felizmente, apenas 411 óbitos foram registrados.
Em toda a Europa, continua a discussão sobre a forma superestimada como a gripe A foi tratada, inclusive pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o que beneficiou os grandes laboratórios fabricantes de remédios de duvidosa eficácia contra o vírus. Esses laboratórios haviam sido fortemente afetados pela crise econômica e conseguiram tirar seus balanços do vermelho com auxílio das entidades de Saúde que exageraram sobre o perigo do vírus.
França, Alemanha e Inglaterra devolveram milhões de doses da vacina contra a gripe, por considerarem desnecessário estoques tão elevados.

Não recomenda
Além disso, os testes com a vacina foram realizados de forma mais rápida do que recomenda a ciência. Um especialista brasileiro diz que, no estágio atual do vírus, não vacinaria sua família.

Contracorrente
O Ministério da Cultura de Cuba concedeu o VII Premio Internacional de Ensayo Pensar a Contracorriente ao ensaio Cultura tecnológica, innovación y mercantilización, do professor Dênis Moraes, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Concorreram ao prêmio 109 autores de 15 países. O texto de Moraes será publicado no livro que reunirá os ensaios premiados, em co-edição do Instituto Cubano del Libro e da Editorial de Ciencias Sociales.

Guerra do gelo
O próximo dia 6 pode se tornar uma data histórica contra as pretensões do sistema financeiro internacional. A Islândia, ilha de 320 mil habitantes, realizará um referendo, convocado por um quarto da população adulta do país, sobre os termos de um polêmico acordo para o pagamento de um empréstimo contraído junto aos governos do Reino Unido e da Holanda. Se os islandeses rejeitarem o acordo, como indicam as pesquisas de opinião, coloca-se em xeque a tese de que populações e governos têm de bancar os excessos especulativos dos bancos privados.

Guerra do gelo II
Informa o boletim eletrônico Resenha Estratégica que a aprovação de uma lei que estabelece uma garantia estatal para os draconianos termos do acordo de pagamento do empréstimo-ponte de 3,9 bilhões de euros contraído para o ressarcimento dos milhares de investidores britânicos e holandeses que tiveram prejuízos com a quebra do banco islandês Landsbanki, em outubro de 2008.
O empréstimo representa quase metade do produto interno bruto (PIB) da Islândia e, à taxa de juros contratada de 5,5% anuais, obrigará o governo a uma série de medidas que fariam corar até os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Abusivo
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou ser abusiva a cobrança de tarifa pela emissão de boleto bancário ou ficha de compensação, além de constituir vantagem exagerada dos bancos em detrimento dos consumidores. O entendimento, já expresso por várias instâncias inferiores, foi explicitado pela 4ª Turma do STJ ao rejeitar recurso do ABN Amro Real S/A e do Banco do Nordeste do Brasil S/A contra acórdão do Tribunal de Justiça do Maranhão. O STJ reiterou que, como os bancos já são remunerados pela tarifa interbancária, a imposição de taxa aos consumidores por pagamento em boleto ou ficha de compensação caracteriza dupla remuneração pelo mesmo serviço.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorPílula azul livre
Próximo artigoCartilha ultrapassada

Artigos Relacionados

Bolsonaro invade TV Brasil

Programação foi interrompida 208 vezes em 1 ano para transmissão ao vivo com o presidente.

FMI: 4 fatores ameaçam inflação

Fundo acredita que preços deem uma trégua no primeiro semestre de 2022, mas...

Pandora Papers: novos atores nos mesmos papéis

Investigação mostra que pouco – ou nada – mudou desde 2016.

Últimas Notícias

SUS gastou R$ 3 bi com acidentes de trânsito em 10 anos

O Brasil registrou 27.839 indenizações pagas por acidente de trânsito com vítimas fatais entre janeiro e outubro de 2020. Os números mostram que, a...

Vendas do Tesouro Direto superam resgates em R$ 1,238 bi em setembro

As vendas de títulos do Tesouro Direto superaram os resgates em R$ 1,238 bilhão em setembro deste ano. De acordo com os dados do...

Atlantic Bank aporta R$ 3 milhões em hub com 48 fintechs

Público-alvo são empresas que desejam verticalizar suas receitas no setor financeiro.

‘Melhores do Seguro e Resseguro’

Na próxima terça-feira (26), às 18 horas, a Revista Insurance Corp irá transmitir em seu canal no Youtube o prêmio "Melhores do Seguro e...