"Nunca houve mais começo do que há agora,

Empresa Cidadã / 12:02 - 19 de jun de 2001

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Nem mais juventude ou velhice do que há agora, E nunca haverá mais perfeição do que há agora, Nem mais paraíso ou inferno do que há agora." (Walt Whitman, 1819-1892, em "Canção de mim mesmo") Uma das principais características da empresa-cidadã é o estabelecimento de relações visíveis com os públicos interessados, também chamados de stakeholders. Outra expressão há pouco incorporada ao vocabulário da cidadania é governança corporativa, conceito bem assimilado da convivência construtiva com os investidores. Há outros desafios de relacionamento da empresa-cidadã com os seus públicos? A publicação da primeira fase do Perfil dos Municípios Brasileiros pelo IBGE, com base em pesquisa de 1999, revelou que os 5.506 municípios brasileiros vêm passando por uma transformação política, há pouco iniciada, que poderá ter conseqüências revolucionárias. Foram identificados quase 27 mil conselhos municipais, o que equivale a cinco conselhos por município, em média. Cerca de 99% deles têm pelo menos um conselho. Os conselhos participam da política e gestão de recursos da saúde em 99% dos municípios, da educação em 91% - mesmo percentual da assistência social -, da defesa da criança e do adolescente em 71% e da política de trabalho em 30%. Há participação do segmento organizado da sociedade também nas áreas de turismo, habitação, transporte, meio ambiente e urbanismo. Apesar dos números expressivos, os conselhos não representam uma solução acabada. Muitas vezes eles são acusados de rivalizar com o poder público - Executivo e Legislativo -, não mantêm com estes poderes fluxos de informações necessários às suas atribuições, não dispõem da mínima infra-estrutura, precisam superar o desafio de estender à maioria da população, que ainda não é organizada, a sua representatividade, nem sempre os conselheiros assumem o grau de desinibição adequado ao desempenho que deles se espera etc. Mesmo assim, os conselhos significam uma via de representação social efetiva nos municípios brasileiros, onde a cidadania é estimulada pela presença da televisão em 98% deles, de jornais diários em 72%, de rádio AM em 69% e de biblioteca pública em 65%, dentre outros equipamentos. Muito há por fazer, com certeza. Em 87% dos municípios não há conselho de defesa do consumidor, em 81% cinemas, em 73% museus e em 65% livrarias. Não menos importante, faz falta o conselho de cidadania corporativa. As empresas-cidadãs desenvolveram mecanismos importantes de enlace com os seus públicos interessados. Os conselhos de administração envolvem os investidores, programas de participação nos resultados e outros programas participativos pactuam as relações com os empregados, sistemas de garantia e certificações de qualidade e ambientais regulam as relações com fornecedores, o Código de Defesa do Consumidor, sistemas de atendimento ao cliente e ouvidorias estabelecem termos de relacionamento com clientes. Ainda falta algo, no entanto. O conselho de cidadania corporativa representa a possibilidade de estabelecimento de um canal de aconselhamento e visibilidade para as empresas-cidadãs, orientando e comunicando os investimentos que fazem na sociedade e suas contribuições para a cidadania, às vezes percebidos e muitas vezes não. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ As empresas Belgo-Mineira realizam o Programa Ensino de Qualidade, através da Fundação Belgo-Mineira. O programa contribui para a melhoria da qualidade do ensino da rede estadual e dos municípios de Sabará, Vespasiano, João Monlevade, Contagem e outros em que o grupo atua, através do aperfeiçoamento de professores e trabalhadores do ensino, da mobilização de pais de alunos e dirigentes municipais da educação. Uma das maiores contribuições deste programa para a sociedade é a transferência do alto padrão gerencial do grupo para a gestão escolar. Empresa do mesmo grupo, a Usina Siderúrgica de Juiz de Fora, que coleciona reconhecimentos do seu mérito social pela comunidade em que está instalada, recentemente contribuiu para a realização do plano estratégico municipal e para a reestruturação da administração pública através da articulação para a vinda ao Brasil de especialistas internacionais renomados em planejamento estratégico.

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