Não deu manchete

A crise na Argentina anda meio ausente dos noticiários dos “jornalões”, e talvez um dos motivos seja o de que por lá, com uma política econômica que privilegia o crescimento, o impacto foi menor do que no comportado Brasil. O PIB argentino cresceu 4,9% no quarto trimestre do ano passado em comparação a igual período de 2007, trazendo a taxa de crescimento da economia para 7% em 2008, segundo a agência nacional de estatística (Indec). Em comparação com o terceiro trimestre, o Produto Interno Bruto encolheu 0,3%, enquanto na mesma comparação, o PIB brasileiro encolheu 3,6%.

Não é para poucos
Em 2008, a pobreza na população urbana da Argentina caiu 2,4 pontos percentuais, fechando o ano em 15,4%. O índice de indigência ficou em 4,4% em dezembro do ano passado, um ponto percentual a menos do que o período entre janeiro e junho. A presidente Cristina Fernández de Kirchner disse que estes índices “ainda envergonham”, mas revelam “que o modelo econômico e político” permite que “o crescimento econômico não chegue somente a poucos”.

O lado feio da beleza
A cobrança excessiva das mulheres por não corresponderem a um determinado padrão de beleza tem efeitos pode tornar-se um problema de saúde pública, dada a interferência da mídia, da publicidade e dos interesses do mercado na formação das crianças e adolescentes.
Segundo pesquisa mundial da Dove/Unilever, em 2004, dois terços das mulheres entre 15 e 60 anos de idade evitam atividades básicas da vida por se sentirem mal com sua aparência; 92% das garotas declaram querer mudar pelo menos um aspecto físico; nove entre dez mulheres querem melhorar alguma coisa no corpo.
Quem não se encaixa no padrão ditado pela mídia – quase 90% – sente-se excluída e humilhada e tende a aceitar qualquer sacrifício em nome da “beleza ideal”. Esse é o tema visitado pela psicóloga Rachel Moreno em A beleza impossível – Mídia, mulher e consumo (Editora Ágora).

Ditadura da mídia
No livro, Rachel busca respostas para questões sobre como as mulheres chegaram a esse ponto, depois de tantas conquistas importantes no último século. Ou ainda quais as consequências dessa obsessão para as adolescentes e onde entram as “diferentes” – gordinhas, velhas, negras – nesse sistema.
“Por que é tão difícil aceitar a diversidade da beleza? O ideal de beleza cria um desejo de perfeição, introjetado e imperativo. Ansiedade, inadequação e baixa auto-estima são os primeiros efeitos colaterais desse mecanismo. Os mais complexos podem ser a bulimia e a anorexia”, destaca Rachel, lembrando que mesmo as mulheres adultas podem ter sua estabilidade emocional afetada.

Compulsório
Transformada, a partir da privatização, em regra, com raras exceções, a prática das empresas, principalmente, as prestadoras de serviços de impedirem que seus clientes cancelem contratos criou a figura do consumidor compulsório. É aquele que, seja por insatisfação com a qualidade, seja por questões econômicas, não desejando continuar a pagar por determinado serviço, tem interditado seu direito de cancelá-lo. Diante do comportamento leniente das agências reguladoras para coibir esses abusos, já passou da hora de Executivo e Judiciário tomarem medidas urgentes. Até agora, apesar de pequenos avanços, a portaria do Ministério da Justiça foi insuficiente para mudar a essência dessa irritante prática das empresas.

Censura
Convidado para fazer uma palestra, esta semana, para os estudantes de Direito da UniRio, o delegado Protógenes Queiroz não pôde participar do evento. Segundo os organizadores da palestra, o delegado está proibido por seus superiores de dar declarações públicas.

Vespeiro
Mexer com empreiteira; o mesmo juiz… É melhor os delegados da Polícia Federal responsáveis pela operação Castelo de Areia colocarem as barbas de molho.

Cruzada
A quem interessa manietar os investimentos da Petrobras num momento em que o Brasil marcha para a recessão?

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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