"Não existe nada mais poderoso do que uma idéia para a qual tenha chegado a sua

Empresa Cidadã / 16:02 - 15 de mai de 2001

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hora" (Victor Hugo) Com as transformações econômicas verificadas a partir dos anos 70, um tipo de instituição passou a ocupar um lugar de importância cada vez maior - as instituições do terceiro setor, também conhecidas por organizações não-governamentais, as ONGs. De que maneira elas podem contribuir para o fortalecimento das empresas-cidadãs? Uma das características mais marcantes das organizações do terceiro setor está no enfoque temático dos seus objetos de trabalho. Esta característica é possivelmente a maior distinção que há entre as ONGs e o governo. O setor público trata de tudo e, no que se refere às questões sociais, isto significa educação, saúde, direitos de cidadania, assistência social e tudo mais. A crise fiscal acentuada a partir dos anos 70 limitou em muito a convicção dos contribuintes de que os governos poderiam mesmo cuidar de tudo. As ONGs despontaram então como instrumentos de denúncias e de realizações insatisfeitas pelo setor público. Já houve época em que hostilidades contra as organizações do terceiro setor foram feitas por governos. Os mais reacionários por que se incomodaram com as denúncias de agressões aos direitos humanos ou de descaso com o setor social. Os mais progressistas por que perderam algumas bandeiras políticas. Hoje, apesar de ainda existirem resistências à cooperação, o quadro é melhor, já que pela complementariedade que há entre governos e ONGs, muitos exemplos de ação conjunta podem ser citados. Outra característica das organizações do terceiro setor está na inexistência de fins lucrativos, no que diferem do setor privado. A diferença, inicialmente percebida como falta de afinidade, vem sendo ultrapassada pela percepção de que, no processo de valorização de suas marcas, as empresas cada vez mais realizam projetos sociais e se assessoram de organizações que desenvolveram gestão competente neste tipo de empreendimento. Além disso, as ONGs, à medida em que vão sendo assimiladas e requeridas, defrontam-se com a maior complexidade dos seus objetos de trabalho, do ônus correspondente para atuarem e da necessidade progressiva de recursos, o que induz as parcerias com o setor privado. Ademais, a gestão das organizações do terceiro setor aperfeiçoa-se com o intercâmbio com empresas privadas, havendo até ONGs certificadas em sistemas de garantia da qualidade. Claro que o processo de interação com o setor público e com o setor privado resulta em influências recíprocas e elas não se resumem em conclusões positivas. O controle social sobre as ONGs ainda é uma parte inacabada desta construção que praticamente se resume ao que é controlado no próprio relacionamento. Assim, ao se relacionar com empresas privadas, as organizações do terceiro setor são controladas indiretamente pelos mecanismos desenvolvidos pelas próprias empresas que precisam minimizar o risco da exposição diante de clientes, colaboradores e investidores. Por outro lado, ao se relacionarem com o setor público os mecanismos institucionais de controle deste são também mobilizados para o controle das ONGs. No âmbito das próprias organizações do terceiro setor, algumas iniciativas interessantes vão sendo instituídas, ressaltando características que devem ser preservadas, como autonomia e agilidade. Recentemente, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, o Ibase do Betinho, apresentou um modelo de balanço social adequado para organizações do terceiro setor. As empresas-cidadãs têm nas organizações do terceiro setor um aliado importante na afirmação dos seus propósitos, pela possibilidade de potencializarem os recursos investidos na sociedade. Seja pela complementariedade de modelo de gestão ou pela identidade com causas coletivas comuns, as empresas tem nas ONGs um ponto de tangência com a comunidade que pretendem sensibilizar. Precisam para tanto conhecê-las melhor e, se forem iniciantes nesta aproximação, de uma orientação sólida sobre os perfis de ONGs mais adequados para firmar as parcerias. Qualidade de empresa-cidadã O Unibanco está associando a sua marca à da organização não-governamental Greenpeace no lançamento de um cartão de crédito em que o plástico habitualmente utilizado será substituído por tipo de plástico a base de moléculas de amido, biodegradável. Criado em 1971, no Canadá, o Greenpeace surgiu para denunciar e protestar contra testes nucleares norte-americanos no Alaska. A organização está estabelecida em 29 países, com sede em Amsterdã, Holanda.

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