"Não há veículo mais eficiente para a difusão de conhecimentos do que a

Empresa Cidadã / 14:20 - 7 de ago de 2001

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Internet." (James Wolfensohn, Presidente do Banco Mundial) A distância existente entre ricos e pobres criou também o "apartheid digital", forma de exclusão dos sem-internet da nova sociedade. O que pode ser feito pela empresa-cidadã para enfrentar o crescimento do abismo entre os pontocom e os pontosem? Estima-se em 140 milhões de pessoas a população que hoje em dia acessa a rede mundial de computadores, beneficiando-se dos seus recursos educacionais, comerciais e de entretenimento. Metade desta população vive nos EUA, onde 41 pessoas entre cada grupo de 100 tem computador em casa. No Japão o número chega a 29 e na Argentina é de cinco em cada 100. No Brasil, a média é de quatro pessoas usuárias de computadores domésticos para cada grupo de 100. Nestes números também há desigualdades. De acordo com o Ibope, 4% dos internautas pertencem às classes D e E, 16% à classe C e 80% às classes A e B. O número de microcomputadores instalados no país chegou a 11 milhões, no início de 2001, quando havia apenas 2,3 milhões em 1995. Na telefonia o acréscimo também é muito grande. No início do ano, havia 35 milhões de linhas de telefones fixos, cerca de 94% mais do que em julho de 1998. O crescimento com concentração significa crescimento da desigualdade. O número de brasileiros que navega pela Internet chega a 7,6 milhões mas apesar da venda de computadores ter crescido 30% nos últimos anos, no primeiro semestre de 2000 o número de internautas cresceu apenas 1%. Nas empresas ainda predominam as atitudes restritivas. Em 1999, 18% dos empregados das médias e grandes empresas tinham acesso à Web, chegando a 28% em 2000. Apesar do crescimento, ainda é um número insuficiente para popularizar o recurso, possivelmente mais tímido agora, em ano de apagão. Outras dificuldades relacionam-se às economias de aglomeração. Os cerca de 500 provedores de acesso existentes no Brasil concentram-se nos maiores centros urbanos, dificultando as oportunidades dos residentes em cidades menores e mais afastadas. A possibilidade para estes é entrar na rede através de provedores localizados em grandes cidades ou capitais, pagando tarifas telefônicas mais altas. Ao governo cabe o importante papel de transformar com urgência a inclusão digital em política pública, garantindo os recursos para isso. O Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), com mais de R$ 50 milhões arrecadados em 2000, poderia ser um bom início. O fundo é financiado com a contribuição mensal de 1% sobre o valor da receita operacional bruta das prestadoras dos serviços de telecomunicações, deduzidos o ICMS, o PIS e a Cofins. A atuação do fundo como um programa de apoio a projetos de inclusão, a renúncia dos tributos descontados e o controle social da aplicação dos recursos poderiam transformá-lo em programa social de grande alcance. Recentemente, surgiram algumas iniciativas de popularização dos computadores residenciais. O "PC do Milhão", parceria do SBT com a Metron, Semp-Toshiba, Procomp, Microsoft e Banco Panamericano, já vendeu mais de 15 mil máquinas, através de financiamento em até 36 meses, com parcelas de R$ 91. O kit inclui impressora, softwares e acesso à Web. Iniciativa parecida, a associação Globo.com e Caixa Econômica Federal disponibilizou a partir de junho uma linha de crédito de R$ 1,6 bilhão para a venda de financiamentos de computadores, com a meta de 100 micros por dia nos quatro primeiros meses. Entre meados de 1999 e 2000, o Banco de Brasil financiou 50 mil computadores e o Bradesco, estabelecido há mais tempo, comercializou 60 mil computadores desde o final de 1995. O projeto Computador Popular, concebido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, a partir do protótipo pioneiro desenvolvido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o objetivo de oferecer computadores por preços entre R$ 550 e R$ 600, poderá atrair parceiros importantes. Iniciativas, de resto, sob as ameaças da escalada do dólar, da crise de energia e do comprometimento de 32% da renda dos brasileiros entre um e cinco salários-mínimos mensais com o pagamento de juros, o que exige a criação de outras alternativas, como as de centrais de acesso populares, para as rendas mais baixas. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ Um computador na casa de cada empregado. Este é o compromisso de Luiz Fernando Furlan, presidente do Conselho de Administração da Sadia, maior empresa agroindustrial do Brasil, com faturamento de R$ 3,2 bilhões em 2000, para os próximos dois anos. Os equipamentos serão custeados com recursos do plano de previdência privada dos trabalhadores, em prestações mensais de R$ 30. A Sadia pretende criar núcleos de ensino de informática para todos os empregados e familiares. Os acordos iniciais com o Comitê de Democratização da Internet, para os projetos iniciais em Toledo (PR), Rio e São Paulo, já foram firmados. Paulo Márcio de Mello Professor e diretor de planejamento da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Correio eletrônico: paulomm@alternex.com.br

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