Não somos credores?

Os crédulos dos dogmas propagados pelas editorias de economia do cartel que controla a imprensa tupiniquim ficaram intrigados com a informação divulgada, na véspera, pelo Tesouro Nacional de que, em novembro, a dívida externa brasileira somou o equivalente a R$ 91,43 bilhões (cerca de US$ 52,24 bilhões). Mas, afinal, não nossos credores em dólar? Ou a teoria econômica ainda não concebera o conceito do credor que deve?

Ativos&passivos
Na verdade, diferentemente do repetido ad nauseam pela equipe econômica e por seus ativistas na mídia, na academia e no mercado financeiro, de que o Brasil é credor em dólares, o que se passa é que as reservas internacionais brasileiras, de US$ 286,7 bilhões, superam em cerca de US$ 234 bilhões a dívida externa do país. Tudo isso, a custo de carregamento de cerca de US$ 25 bilhões, diferença entre o que o Brasil recebe pela aplicação das reservas no exterior e a diferença que paga quando esse mesmo ervanário vem desfrutar dos astronômicos juros do país. E sem isentar o país de sangrar em cerca de US$ 20 bilhões/ano pelo pagamento de juros sobre a tal dívida inexistente.  

Eu desfruto, ele não desfruta…
Escreve Fernando Rodrigues, em artigo na Folha de S.Paulo de segunda-feira, que, quando o presidente Lula assumiu, em 2003, havia 499 órgãos de imprensa veiculando propaganda do governo. Em 2008, esse número saltou para 5.297 jornais, revistas, portais de Internet, rádios e TVs, “desfrutando desse auxílio luxuoso”, ainda nas palavras de Rodrigues: “De fato, quem paga essa conta são todos os brasileiros. As empresas estatais federais gastavam R$ 555,4 milhões por ano em 2003 com projetos de patrocínio. Em 2006, o valor já havia pulado para R$ 1,085 bilhão. Estar bem na mídia é tudo. Lula sabe disso”, finalizou o jornalista da Folha.
O jornal não vê com bons olhos a democratização das verbas federais realizada por Lula, mostrando que, também nesse caso, democracia é um conceito relativo para os grandes meios de comunicação. Para ser mais coerente, a Folha deveria, de preferência em nota na primeira página do jornal, anunciar que, a partir de 2011, abre mão de desfrutar esse “auxílio luxuoso” e que recusará qualquer pagamento feito pelos governos – inclusos estaduais e municipais – passando a publicar gratuitamente apenas os anúncios que julgar importantes para os leitores e para o país.

Necessidade
Estima-se que existem no Brasil cerca de 800 mil catadores, porém só cerca de 85 mil têm cadastro nacional junto à entidade do setor. Dos 85 mil registrados, somente 35% estão organizados em cooperativas ou associações bem estruturadas. E mais: dos organizados, apenas 20% atuam comercialmente para entregar o material para grandes indústrias. Ou seja, cerca de 794 mil catadores sobrevivem sem qualquer estrutura. Para debater esses e outros temas, terça-feira, começou no Mart Center, em São Paulo, a Expocatadores 2010. São esperadas as presenças do presidente Lula, da presidente eleita Dilma Roussef, além do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Telhado de vidro
Uma empresa de bebidas, conhecida por acusar, via associação do setor, as pequenas empresas de sonegarem impostos, concede um abatimento de 10% ao dono de bar que aceita não receber nota fiscal. A prática ocorre no Rio de Janeiro, mas provavelmente se estende aos demais estados. Uma simples fiscalização da Receita estadual nos caminhões da empresa poderia desnudar o esquema.

Alianças
Tradicional colaborador desta página 2 do MM, o economista Marcos Coimbra confirmou seus laços matrimoniais com Cintia, dia 18, e partiu para comemorar na (atualmente fria) Europa.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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