Não vale o escrito

Uma das principais causas do déficit de credibilidade dos políticos em todo o mundo, o descumprimento da palavra dada ao eleitor tem origem em antagonismo que se tem acentuado na última década: enquanto na campanha, fazem promessas para os mais pobres e os integrantes do setor produtivo, quando no governo, se dedicam aos (muito) ricos e aos rentistas. No Brasil, essa esquizofrenia gerou nova modalidade de político: o que põe no papel e registra em cartório aquilo que não pensa cumprir, como mostraram recentemente o então prefeito de Ribeirão Preto, Antonio Palocci, e, na última sexta-feira, o prefeito de São Paulo, José Serra. Os (maus) exemplos impõem a pergunta: se não é para cumprir, por que prometer por escrito.

Mantega: “Abaixo os juros!”
“Os altos juros aumentam o déficit das contas públicas e criam um círculo vicioso. O governo aumenta os juros, para elevar a receita, mas a receita cai.” O diagnóstico é do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Feito no início de 1999, quando era considerado o principal porta-voz do PT para assuntos econômicos, continua atual, o que dá ao hoje ministro a oportunidade de dar consequência prática a sua dura e precisa crítica à desastrosa política econômica do governo FH, embasada em números como estes que eram elencados por eles: “Em janeiro de 98, já houve queda de 10% em relação a janeiro de 97. É um tiro no próprio pé esse ajuste cambial recessivo, que aumenta impostos e corta gastos”, criticava, acrescentando que “agora, a situação é ainda mais delicada, porque o governo, que avaliava queda de 1%, em 99, do PIB, já admite 3,5%”.
Em tempo, em 2005, embora não tenha caído, a economia brasileira cresceu apenas 2,4%.

Contra-hegemonia
Invisíveis na mídia pró-banca, partidos fora do condomínio PT-PSDB também têm candidatos a presidente da República. No próximo dia 3, o PSOL, por exemplo, lança, as pré-candidaturas do ex-deputado federal Plinio de Arruda Sampaio ao governo do Estado de São Paulo e da senadora Heloísa Helena a presidente da República. Batizado de Alternativa da Esquerda para São Paulo e o Brasil, o ato será realizado às 19h, no Centro Transmontano, na Rua Tabantiguera 94, Sé, na capital paulista.

Tentáculo$
O relatório apresentado pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) à CPI dos Correios confirma que as relações delicada$ com o poder não se restringem ao aparelho de Estado. Além de estatais e dos Bancos BMG e Rural, Serraglio aponta pelo menos duas empresas privatizadas, Usiminas e Brasil Telecom, como financiadoras do valerioduto.

Migalhas
Em recente entrevista à revista Exame, o economista Jeffrey Sachs, um dos arautos do neoliberalismo nos anos 80, se revela veemente defensor do papel do Estado como motor do desenvolvimento. Um dos participantes do Projeto Milênio – programa da Organização das Nações Unidas (ONU) com metas para erradicar a miséria no mundo e que conta com o apoio formal de países desenvolvidos e subdesenvolvidos – Sachs classificou de “irrisória” a ajuda das nações ricas ao projeto.
Segundo o economista estadunidense, apesar de ter um produto interno bruto (PIB)  de cerca de US$ 12 trilhões, os Estados Unidos enviam ajuda anual à África de apenas US$ 3 bilhões. Isso significa, em termos percentuais, que a África recebe US$ 0,03 de cada US$ 100 do PIB dos EUA.

Baratinho
Segundo Sachs, para erradicar a pobreza, bastaria os Estados Unidos e os demais países ricos destinarem anualmente entre 0,5% e 1% de seu PIB para essa finalidade. Isso significaria, nos cálculos do economista estadunidense, cerca do dobro ou o triplo dos níveis atuais de auxílio.

Sem mágica
Se não é para fazer mágica, presidente, por que o senhor continua a prometer o espetáculo do crescimento, quando mantém os juros altos, aperto fiscal de 5% do produto interno bruto (PIB), câmbio sobrevalorizado e salários deprimidos?

Revoada
Depois da despetização da administração Lula, exigida pelo mercado e por integrantes de outros governos que não querem largar o osso, a revoada de integrantes da equipe econômica que se seguiu à demissão do ministro Antonio Palocci e à assunção de Guido Mantega dá largada a um segundo movimento no interior do Estado brasileiro: a destucanização do aparelho da Fazenda.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorProgressista
Próximo artigoExposição

Artigos Relacionados

Alta dos preços leva a aumento de protestos

Agitação em países onde manifestações eram raras preocupa FMI.

Montadoras não vieram; demissões, sim

Promessas de Doria e Bolsonaro para fábrica da Ford não passaram de conversa para gado dormir.

Ganhos de motoristas de app desabam

Renda média é de pouco mais de 1,5 salário mínimo.

Últimas Notícias

Câmara deve colocar em votação PL que desonera tarifas de energia

Em 2021, o Brasil passou pela pior crise hídrica em mais de 90 anos

Metodologia para participação de investidor estrangeiro

Serão considerados os dados de liquidação das operações realizadas no mercado primário nos sistemas da B3

Fitch eleva rating do Banco Sicoob para AA (bra)

Houve melhora do perfil de negócios e de risco da instituição

Petrobras Conexões para Inovação cria robô de combate a incêndio

Estatal: Primeiro no mundo adaptado para a indústria de óleo e gás

Brasil tenta ampliar diálogo com a UE

Debate da recuperação econômica nas duas regiões e discussão sobre as perspectivas das políticas fiscais