"Nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo"

Empresa Cidadã / 13:26 - 5 de jun de 2001

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(Mahtma Ghandi) Esta é a semana do meio ambiente. As idéias relacionadas à ecologia começaram a ser difundidas a partir dos anos 70, quando os verdes passaram a orientar a sua atuação de acordo com uma diretriz política. No início, os verdes eram encarados como algo pitoresco. Com o tempo, passaram a merecer o respeito de um movimento politicamente importante. Hoje, têm suas propostas indissociáveis do temário de qualquer organização responsável, a começar pelas empresas-cidadãs. A qualidade ambiental tornou-se um bem público para a qual concorrem tanto o setor público quanto as empresas privadas. No Brasil, grandes empreendimentos, de setores econômicos que têm com o ambiente uma relação controvertida, só foram possíveis pela dificuldade política de implantação nos países centrais - europeus e norte-americanos. Atualmente, alguns são exemplares na relação com o meio ambiente, regenerando áreas por eles degradadas, reciclando recursos escassos como a água e investindo em educação ambiental. Muito há por fazer, porém. O balanço social de empresas desse setores, nos indicadores ambientais, revela que o dispêndio não operacional é inferior em média a 10% dos dispêndios operacionais. Isto significa que a educação ambiental, a restauração de danos provocados e outras intervenções preventivas ainda não ocupam o mesmo significado dos negócios em si. Complementa esta observação verificar que os dispêndios compulsórios das empresas (tributos) representam 95% em média do que elas gastam, na soma com ambiente e projetos sociais. Ou seja, a transferência da responsabilidade social para o setor público, medida pelos dispêndios, ainda é um fato. Verdade também que os projetos sociais e ambientais voluntariamente realizados pelas empresas incluem técnicas gerenciais avançadas que constituem a doação de um patrimônio que não pode ser medido só pelos valores nele dispendidos. O papel da empresa-cidadã na defesa do meio ambiente é decisivo. Conhecer o impacto dos produtos por ela produzidos, desde os fornecedores até o lixo resultante do uso pelos consumidores, substituir insumos, reciclar e reutilizar recursos escassos, a começar pela água, participar da educação, poupar nas embalagens e informar corretamente, são obrigações que exigem preparo para serem cumpridas. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ A Natural Reciclagem descobriu que o lixo é valioso, tanto do ponto de vista econômico, quanto do social e ambiental. Há dois anos, ela realiza a reciclagem de resíduos sólidos e projetos de educação ambiental em empresas, condomínios e escolas. O lixo reciclável é também transformado em moeda social. A Natural Reciclagem atua com 15 colaboradores, chamados voluntários especiais, presidiários em regime semi-aberto, moradores de rua e outros profissionais que irradiam nas sua comunidades. A concepção da reciclagem como preservação. A Marisol Nordeste, com faturamento superior a R$ 35 milhões em 2000, instalada há dois anos em Pacatuba (CE), emprega cerca de 1 mil colaboradores na indústria de confecções. A concepção do seu projeto incluiu cuidados especiais na utilização da água e no tratamento dela como efluente. Toda a água utilizada na estamparia, refeitórios e vestiários é reciclada e reutilizada na irrigação do projeto paisagístico, cobrindo cerca de 60 mil m2 de área verde. Recém instalada no interior de São Paulo, a Nardini Cerâmica nasceu de forma correta. Concebida para ser uma empresa-cidadã, ela comprometeu-se com compromissos de gestão de qualidade, ambientais e sociais. Produtora de revestimentos cerâmicos por sua via seca, a indústria instalou o sistema de despoeiramento, que recicla o ar 12 vezes por hora, protegendo trabalhadores e a comunidade em que está localizada. Além disso, está implantado controle e tratamento de efluentes para reaproveitar até 100% da água utilizada no processo fabril e na manutenção da área verde da planta industrial.

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