O aprofundamento da crise carioca

Rio precisa com urgência de um projeto de desenvolvimento para superar a crise carioca, como o feito pelo Espírito Santo. Por Ranulfo Vidigal.

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Ambulante na praia, praias cariocas
Ambulante na praia (foto de Fernando Frazão, ABr)

Mediante acelerada degradação econômica, a cidade vem se transformando num território de decadência das rendas salariais e escassas oportunidades produtivas. Dentre as causas estruturais desse quadro decadencial e aprofundamento da violência/criminalidade explosivas está o processo de desindustrialização e a fuga de empresas. As estatísticas do próprio Instituto Pereira Passos – órgão da Prefeitura do Rio de Janeiro – revelam o espantoso incremento de 125% no contingente de estabelecimentos abandonados em menos de uma década e meia. Nesse quadro, a taxa de desemprego entre jovens explodiu para 20%, a maior do país segundo o IBGE, e 8 pontos percentuais acima da média nacional.

Sem indústria não há produção de riqueza real, de valor e mais valor, pois é este segmento econômico que agrega trabalho efetivo e inovação, movimenta cadeias produtivas e alimenta setores altamente empregadores como comércio e serviços. O enfraquecimento dessa engrenagem na cena carioca acarretou o incremento da desigualdade e a busca das atividades informais como fontes de sobrevivência.

Outro ponto importante: se, por um lado, o Estado do Rio é o maior produtor de petróleo do país, de outro, a quase totalidade dos fornecedores da cadeia de óleo e gás localiza-se fora do território fluminense. Recentemente, inclusive, a Petrobras contratou a construção de 50 navios, mas nenhum será produzido no Rio, porque os estaleiros locais estão sucateados, informa a matéria jornalística de importante revista de circulação nacional.

A situação é ainda mais preocupante diante do alerta de especialistas que preveem que a produção do óleo na camada do pré-sal (de alta produtividade) começará a desacelerar e cair, nos próximos anos. Nesse quadro, a estatal do petróleo pode migrar parte significativa de sua base de exploração e produção para a Margem Equatorial no norte do país. Quando essa transição ocorrer, o que restará na capital do samba e do Carnaval brasileiro, sem uma estrutura produtiva diversificada?

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Nesse contexto, o Rio precisa com urgência de um projeto bem planejado de desenvolvimento, a exemplo do que fez o Estado do Espirito Santo. Há toda condição para isso, na medida em que a Cidade Maravilhosa possui o segundo maior parque de ciência, ensino e pesquisa do Brasil.

Políticas públicas de reindustrialização, inovação, economia verde, capacitação e infraestrutura apoiadas pelo Governo Federal podem virar esta página de decadência da cidade que é destaque nacional e internacional.

Só isso evita o aprofundamento da militarização da vida do carioca e a política do medo!

Ranulfo Vidigal é economista.

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