‘O barco está parado’

‘Quem leva os meus fantasmas?’

A poesia vigorosa de Pedro Machado Abrunhosa (mais conhecido por Pedro Abrunhosa; 20 de dezembro de 1960; Porto, Portugal), poeta, cantor e compositor, retrata a mesma precisão que Fernando Pessoa disse do navegar.

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas (Pedro Abrunhosa; youtube.com/watch?v=qYBOwNAHliI)

“Aquele era o tempo / Em que as mãos se fechavam / E nas noites brilhantes as palavras voavam, / E eu via que o céu me nascia dos dedos. / E a ursa maior eram ferros acesos. / Marinheiros perdidos em portos distantes, / Em bares escondidos, / Em sonhos gigantes. / E a cidade vazia, / Da cor do asfalto, / E alguém me pedia que cantasse mais alto. / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / Quem me diz onde é a estrada? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / E me diz onde é a estrada / Aquele era o tempo / Em que as sombras se abriam, / Em que homens negavam / O que outros erguiam. / E eu bebia da vida em goles pequenos, / Tropeçava no riso, abraçava de menos. / De costas voltadas não se vê o futuro / Nem o rumo da bala / Nem a falha no muro. / E alguém me gritava / Com voz de profeta / Que o caminho se faz / Entre o alvo e a seta. / Quem leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / Quem me diz onde é a estrada? / Quem leva os meus fantasmas? / Quem leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / E me diz onde é a estrada / De que serve ter o mapa / Se o fim está traçado, / De que serve a terra à vista / Se o barco está parado, / De que serve ter a chave / Se a porta está aberta, / De que servem as palavras / Se a casa está deserta? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / Quem me diz onde é a estrada? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / E me diz onde é a estrada.”

 

‘A casa está deserta’

Dados apurados junto à página oferecida pela Johns Hopkins University complementam o quadro de negligência e descompromisso com a população, no que deveria ser o trato qualificado da pandemia da Covid-19.

A população brasileira corresponde a 212.559.409 habitantes (IBGE). Em termos percentuais, este número representa 2,7% da população mundial. O número de óbitos no Brasil, em consequência da pandemia (266.398), cotejado com o total de óbitos no mundo (2.600.504), corresponde a 10,2%.

Apesar de haver formas mais sofisticadas de se representar estatisticamente este quadro, nenhuma delas é capaz de minimizar os trágicos desacertos da gestão federal da Covid-19. E pensar que este governo começou com o extermínio do programa Mais Médicos.

 

‘Homens negavam o que outros erguiam’

A revista Nature, prestigiada nos meios acadêmico e científico, em sua edição de 18 de fevereiro passado, apresenta na capa estudo do professor Ado Jório de Vasconcelos, lotado no Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), referente ao uso do grafeno, material capaz de ensejar mudanças tecnológicas radicais em diferentes áreas, por suas características de leveza, resistência e condutibilidade sem atrito, como as da informática e dos transportes (a exemplo de trens que “levitariam” sobre trilhos). O gol do pesquisador e sua equipe consiste em ter desenvolvido um nanoscópio (“microscópio” capaz de oferecer resolução de imagens de até uma parte de 1 bilhão do metro, enquanto microscópios até o presente existentes chegam a oferecer resolução de até uma parte do metro em 1 milhão delas).

A UFMG está entre as mais importantes universidades do mundo, capaz de gerar pesquisas com tamanho significado. Em dezembro de 2017, no entanto, frequentou as páginas policiais e não as páginas da ciência, como são as páginas da revista Nature. Foi o caso da mal explicada operação “Esperança Equilibrista”, com a condução coercitiva do reitor Jaime Ramirez, da vice-reitora Sandra Goulart Almeida e outros altos dirigentes para depor na Polícia Federal sobre a construção do Memorial da Anistia. O arco de apoios solidários recebido pelo reitor, na ocasião, chegados tanto do Brasil, quanto do exterior, completa-se com a publicação da revista Nature.

 

‘Quem me salva desta espada?’

“Manifesto pela vida: em apoio às determinações do Governo do RS para o enfrentamento da pandemia de Covid-19”.

“As Universidades públicas e Institutos Federais do Rio Grande do Sul manifestam, novamente, seu inabalável compromisso com a saúde, com a ciência, com a formação profissional e, sobretudo, com a vida de todos e todas. O cenário de emergência total em saúde deve ser respeitado e é urgente que as nossas condutas sejam compatíveis com o necessário cuidado. Faltam leitos na rede hospitalar do Rio Grande do Sul, portanto, reforçamos os alertas à população e fazemos um apelo para que sejam cumpridas as regras sanitárias e de distanciamento social, determinadas pelo Governo e pelos municípios do RS.

Mesmo após a vacina, é necessário mantermos o uso da máscara e cuidados com a higiene, bem como evitarmos o contato e as aglomerações. Reiteramos, também, nossa confiança e apoio às equipes de profissionais que, responsável e incansavelmente, atuam no combate à pandemia da Covid-19. Chamamos a um pacto nacional para que sejam tomadas providências para disponibilizar vacina a toda a população. Este é um apelo à toda a comunidade, especialmente às lideranças políticas, empresariais, sociais, educacionais, esportivas, culturais e religiosas para que se engajem com toda sua energia pela VACINA PARA TODAS AS PESSOAS, JÁ!”

Porto Alegre, RS, 9/3/2021

Instituto Federal Farroupilha (IFFar)

Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS)

Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul)

Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS)

Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)

Universidade Federal do Rio Grande (FURG)

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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