

Pai do Pasquim. Avô do Casseta & Planeta. Bisavô do Sensacionalista. Apparício Torelly, o Barão de Itararé, foi o grande nome do “jornalismo mentira, humorismo verdade” durante a Era Vargas (1930-45). Em documentário-comédia, Gregorio Duvivier narra os feitos do Barão de Itararé e os defeitos de um Brasil que se equilibra entre a graça e a desgraça.
Apparício Torelly comandava o jornal A Manha, uma publicação hilária que satirizava a imprensa, os costumes e os políticos. “Não houve no Brasil escritor mais unanimemente lido e admirado do que o humorista cujo riso, ao mesmo tempo bonachão e ferino, fazia a crítica aguda e mordaz da sociedade brasileira e lutava pelas causas populares”, escreveu Jorge Amado.
Ousado em sua forma, o filme O Brasil que não Houve – As Aventuras do Barão de Itararé no Reino de Getúlio Vargas é um documentário-comédia. “Foi fundamental trazer o espírito bem-humorado do Barão de Itararé para contar essa história. A trajetória do Barão e seus confrontos com o governo de Getúlio Vargas são contados pela lente do humor”, explica Renato Terra, que já dirigiu Narciso em Férias, Uma Noite em 67, O Canto Livre de Nara Leão e tem uma coluna semanal de humor na Folha de S.Paulo.
“O Barão é de uma época em que os humoristas eram cancelados de verdade — somando todas suas passagens pela cadeia, ficou mais de dois anos preso por contar piadas e nem podia botar culpa no politicamente correto”, diz Arnaldo Branco, que assina seu primeiro documentário, se não contarmos as sete temporadas em que ajudou a escrever o jornalístico de humor (ou humorístico de jornal) Greg News.
Renato lembra que algumas frases do Barão continuam vivas até hoje. Alguns exemplos: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo”, “O que se leva desta vida é a vida que a gente leva” ou “Em caso de guerra, ou mato ou morro — ou eu corro pro mato ou eu corro pro morro”. E outras ganharam novos significados com o tempo.
Aparício Torelly morreu em 1971. Além do título de Barão de Itararé, ele se autoproclamou “herói de dois séculos”. Estava errado. Apporelly brilhou nos séculos 19 e 20, mas seu humor continua atual por uma razão bem simples: a nossa vocação para o conchavo não permitiu que a gente avançasse muito nas décadas seguintes. O Barão de Itararé, que nasceu sob os escombros de uma batalha que não aconteceu, continua como o cronista oficial de um Brasil que não houve.
Produzido pela Inquietude para o canal Curta!, o filme foi viabilizado através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Sua primeira exibição foi na Flip e estreia no Curta! Neste sábado (25).
















